Manuel Alegre anunciou ontem que é candidato a Presidente da República. "Estarei aqui em Janeiro como candidato à Presidência da República para derrotar Cavaco Silva nas eleições presidenciais."
A frase-chave foi proclamada por Manuel Alegre durante o discurso que proferiu em Águeda, sua terra natal, onde participou na cerimónia de lançamento da candidatura da lista do PS à Câmara Municipal, encabeçada por Gil Nadais, que se propõe conquistar a presidência do municipio ao PSD.
Manuel Alegre desfez assim as dúvidas que ainda existissem sobre a sua candidatura à presidência da República. Ainda ontem, em declarações ao PÚBLICO, Alegre assumia a sua vontade de se candidatar, admitindo que só estava limitado por questões logísticas e apoios financeiros para suportar uma campanha. "Não tenho os meios de que outros dispõem, mas tenho vontade política e espero que se reúnam as condições para eu poder intervir num combate essencial para a democracia e o país", afirmava Alegre ao PÚBLICO.
A vontade de Alegre era já conhecida. Depois de ao longo dos úlitmos seis meses o seu nome ter sido apoiado por circulos socialistas como candidato a apoiar pelo PS, Alegre disponibilizou-se no final de Julho para ser o adversário de Cavaco Silva em nome dos socialistas. Perante a disponibilidade também assumida então por Mário Soares e o apoio imediatamente dado pelo secretário-geral do PS, José Sócrates, a Soares, Alegre ficou sem chão para avançar na altura. Mas nunca recuou na sua vontade e, perante os apoios que diz ter recebido, acabou por se candidatar mesmo.
Sócrates mantém apoio a Soares
Ontem à noite, Sócrates manteve o apoio que a direcção nacional do PS entretanto aprovou oficialmente em comissão nacional. Em declarações à RTP na Guarda, Sócrates afirmou: "O PS tem candidato, é Mario Soares."
Já o próprio Mário Soares, em declarações à SIC, em Santos, no Brasil, mostrou-se confiante na vitória e desvalorizou o impacto que a candidatura de Alegre possa fazer no seu potencial eleitorado.
Também o candidato comunista, Jerónimo Sousa, rejeitou que Alegre lhe roube votos e sublinhou o "carácter distintivo do projecto da CDU". "Duvido", respondeu o secretário-geral à pergunta dos jornalistas que o questionaram em Évora. O comunista preferiu assinalar que a confirmação dessa candidatura demonstraria "uma certa confusão e contradição no PS".
Por sua vez, Francisco Louçã, candidato já anunciado pelo apenas comentou que a candidatura de Alegre mostra "a grande confusão" que diz ir no PS.


