Alberto Martins acusa PSD de desgastar serviços públicos com privatização

20.10.2008 - 19:24 Por Lusa
O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, considerou hoje que o PSD mantém desde Durão Barroso até à actualidade, com Ferreira Leite, uma linha política coerente em defesa do neoliberalismo, pretendendo em contraponto desgastar os serviços públicos.
Num discurso marcadamente de esquerda, em que defendeu o fortalecimento do papel do Estado como regulador, Alberto Martins abriu as Jornadas Parlamentares do PS, em Aveiro, com um ataque à visão económica que disse estar na origem da crise internacional dos mercados e ligou o maior partido da oposição a essa mesma visão económica. Segundo o presidente do Grupo Parlamentar do PSD, apesar das mudanças de liderança entre os social-democratas, desde Durão Barroso até hoje, com Manuela Ferreira Leite, há um "objectivo estratégico" inerente ao PSD.
Esse objectivo estratégico do PSD, segundo o dirigente socialista, "é a pura e simples privatização da educação, da saúde e da segurança social". "A táctica é a do costume. Preparatório da privatização, o PSD quer o desgaste dos serviços públicos. É que ainda durante a campanha interna do PSD Manuela Ferreira leite afirmou que o Serviço Nacional de Saúde gratuito ou tendencialmente gratuito para todos é um aspecto que possivelmente vai ter de ser revisto", apontou o líder parlamentar socialista, citando a presidente do PSD.
Para Alberto Martins, a posição do PS "é absolutamente inversa". "Queremos defender e qualificar os serviços públicos para os preservar assim como são: públicos, universais e inclusivos, para que existam não só amanhã, mas para as gerações futuras", contrapôs. Na sua intervenção, o presidente do Grupo Parlamentar do PS procurou ainda explorar alegadas contradições entre Manuela Ferreira Leite e o Presidente da República, Cavaco Silva, a propósito da saúde actual da democracia portuguesa.
Contradições social-democratas
Segundo Alberto Martins, ao contrário da afirmação de Ferreira Leite de que a democracia portuguesa "está doente", o Presidente da República, citado pelo líder parlamentar do PS, considerou que o regime "encontra-se perfeitamente estabilizado e sedimentado".
Na parte mais ideológica do seu discurso - a inicial -, o líder considerou, a propósito da crise financeira, que "o erro desta ideologia não foi apenas o de falhar redondamente ao subestimar as limitações dos mercados; foi também o de subestimar a importância do Governo do mercado, ou seja, o papel insubstituível do Estado na correcção das insuficiências do próprio mercado e, naturalmente, para fazer progredir a justiça social".
No entanto, logo a seguir a estas críticas, Alberto Martins também advertiu que "ao fundamentalismo de mercado não pode suceder o regresso do fundamentalismo de Estado".

