Alberto João Jardim diz-se irritado com clima “conspiratório” no partido

27.01.2008 - 08:55 Por Lusa
O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, confessou-se hoje "irritado" com o clima "conspiratório" dentro do PSD e apelou a que os militantes se mantenham "quietos e calmos" pelo menos até ao fim deste ano.
"Começo-me a irritar com uns jantares e almoços conspiratórios com uns meninos lá de cima do Porto, que nunca me cheiraram bem, com toda a franqueza, uma gente com a qual eu não me identifico", afirmou.
João Jardim falava perante cerca de meio milhar de militantes e simpatizantes do concelho de Castro Marim, Algarve, no final de um jantar promovido pela concelhia social-democrata.
"Cada um tem o direito de ter as suas posições livres dentro de um partido, mas para bem do partido pelo menos até ao fim deste ano estejam todos quietos e calmos", apelou.
Pediu aos militantes para que "não façam conspirações, não andem com baboseiras nos jornais, tenham calma", sublinhando a necessidade de "dar tempo ao tempo" para que se afirme a nova direcção do partido, liderada por Luís Filipe Menezes.
"Se há pessoa interessada em que o senhor Pinto de Sousa, mais conhecido por José Sócrates, seja derrotado nas próximas eleições, sou eu, que fui perseguido por ele. Agora não estraguem o único partido que pode derrotá-lo, que é o PSD", exigiu.
Sobre a regionalização - um dos temas fortes do discurso de Jardim -, apelou a que o PSD "não caia na asneira de ser contra" aquela reforma administrativa, recordando que "está na Constituição" e é preciso que vá "para a frente".
"Quem não quer a regionalização dentro do PSD é o sector mais obscurantista e reaccionário do partido", afirmou, convidando o partido a que se constitua como "campeão da regionalização, para fazer finalmente o que outros já deviam ter feito antes".
"Estou farto de ver o PSD nacional hesitante nesta questão", disse, enfatizando que o PS, que "agora começa a falar de regionalização", é "o partido mais centralista que existe".
"O Partido Socialista é a União Nacional do novo regime, estão lá tipos da extrema-esquerda à extrema-direita, eles não se importam com a ideologia de cada um. Querem é ter o poder a qualquer preço", acusou.
Respondendo ponto a ponto a alguns argumentos dos adversários da Regionalização, o líder madeirense sustentou que, se a Regionalização do Continente for feita, "vamos fazer importantes mudanças em Portugal", disse, garantindo que quem não quer aquele modelo "São os grandes interesses que estão sedeados em Lisboa".
"Uma das razões para o atraso do país é não se ter feito atempadamente a regionalização do Continente", defendeu.
Distribuindo críticas ao Governo de acordo com os vários sectores da Administração, Alberto João Jardim censurou o "controlo e interferência na vida privada dos cidadãos" protagonizados pelo Executivo.
"Qualquer dia não me admiraria que tivéssemos que dar satisfações ao Governo do senhor José Sócrates sobre a cor da nossa roupa interior", ironizou, observando que "tudo anda a ser regulamentado e dirigido pelo Estado".
Acusou o Governo de estar a "arrastar o país" para um controlo e uma interferência na vida privada dos cidadãos que nenhum homem livre, nenhum país livre pode aceitar".
Já antes, o líder do PSD/Algarve, Mendes Bota, estabelecera várias comparações entre o actual Governo e o Estado Novo, nomeadamente no que respeita à vigilância policial e fiscal.
"Salazar tinha a PIDE, agora temos uma ASAE, uma polícia que persegue os cidadãos e uma máquina fiscal que persegue as pequenas e médias empresas", assinalou.
Durante o jantar, o actual presidente da Câmara de Castro Marim, José Estevens, anunciou que se recandidatará ao cargo em 2009.

