Aguiar-Branco volta a acusar PGR de contribuir mais para confusão do que para o esclarecimento

23.11.2009 - 13:00 Por Filomena Fontes
O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, voltou hoje a acusar o procurador-geral da República (PGR) de ter contribuído mais para “a confusão do que para o esclarecimento” no caso das escutas do processo Face Oculta. E insurgiu-se contra a “insensibilidade” de Pinto Monteiro face às declarações de “espionagem política” proferidas por Vieira da Silva.
“O PGR devia tranquilizar os portugueses no que respeita à autonomia do Ministério Público e à independência do sistema de justiça, mostrando que acusações deste teor são graves na medida em que fazem juízos de valor sobre a actuação do MP. Devia ser ele o primeiro e defender o MP”, declarou.
Aguiar-Branco, que falava à entrada para as Jornadas Parlamentares do PSD, que arrancam hoje em Espinho, não quis tecer qualquer comentário sobre a decisão de Pinto Monteiro arquivar as escutas que envolvem o primeiro-ministro e Armando Vara. “É uma competência do PGR e só desejamos que seja a mais correcta”, limitou-se a dizer.
A seguir deixou os dois “reparos”, fazendo mesmo questão de lembrar que já não é primeira vez que Pinto Monteiro não ajuda, com as suas declarações, a restaurar a confiança na justiça, advertindo mesmo que “é o estado democrático de direito que está em causa”. “Infelizmente já não é a primeira vez. Já no ano passado isso aconteceu no caso Eurojust de Lopes da Mota”, lembrou.
Apesar das críticas, duras, Aguiar-Branco evitou subscrever as declarações da líder do partido, Manuela Ferreira Leite, que desafiou Sócrates, no Parlamento, a dar explicações políticas sobre o seu envolvimento no caso Face Oculta. O líder parlamentar lembrou que o PSD já pediu a presença do ministro da Economia na Comissão de Assuntos Parlamentares e por aí se ficou.
Quanto à turbulência que por estes dias tem atravessado o PSD com as duas principais distritais a reclamarem a antecipação do calendário das directas, Aguiar-Branco refugiou-se no argumento que sempre tem invocado: o grupo parlamentar será um factor de estabilidade. “Não nos desviaremos um milímetro”, prometeu.

