José Pedro Aguiar-Branco apresentou hoje a sua sede nacional de candidatura, em Lisboa, garantindo que está na corrida à presidência do PSD “para ser primeiro-ministro”.
Num discurso com muitas críticas ao Governo e com alguns recados aos outros candidatos, Aguiar Branco afirmou que no próximo dia 26 os militantes sociais-democratas vão decidir se “o próximo primeiro-ministro é o presidente do PSD ou o próximo líder do PS”.
Perante cerca de meia de centena de apoiantes, que se deslocaram ao número 4 da Rua Nova da Piedade, junto à alfacinha Praça das Flores, o candidato à liderança do PSD começou por citar um estudo ontem divulgado pelo PÚBLICO que revelava que 60 por cento dos portugueses estão insatisfeitos com o funcionamento da democracia.
“O país foi contaminado pelo vírus da apatia. Os portugueses não se interessam, não querem saber. Esta herança deve-se em grande parte aos quatro anos e meio de maioria absoluta socialista e a cinco anos de governação de José Sócrates. Cinco anos de casos inexplicáveis, incidentes por explicar e muitas meias verdades”, afirmou.
Já falando para o interior do PSD e ao mesmo tempo para o país, Aguiar-Branco disse que “os portugueses não precisam de mudança”, nem “de rupturas”: “O país mudou, já rompeu perante o imobilismo do Estado e dos partidos políticos. E esse processo fica além da vontade, das hesitações ou dos medos que sobre isso possamos ter.”
Sobre o congresso do PSD, recusou que sirva “para medir aplausos”, como “sondagem para as eleições directas” ou que “não sirva para nada”. “Se há uma reunião magna do nosso partido temos o dever, temos a obrigação de ir mais além que os lugares comuns da ocasião. Temos obrigação de ir mais além do falar alto e da retórica de tribuna”, acrescentou, garantindo que em breve apresentará as suas propostas para o congresso, nomeadamente a alteração dos estatutos sociais-democratas, defendendo que no próximo Congresso se deve iniciar uma reforma do funcionamento do partido.
Salientando o trabalho que tem sido feito nos últimos tempos como oposição, o também líder da bancada parlamentar do PSD, garantiu que consigo na liderança do partido “o PSD não ficará refém das chantagens. Não ficará refém das agências de rating. Não ficará refém das ameaças de demissão do primeiro-ministro. Comigo o PSD não tem medo de governar.”
Lembrando que no próximo dia 26 “os militantes têm uma enorme responsabilidade”: “”Não só elegem o próximo presidente do PSD como podem eleger o próximo primeiro-ministro (…) Eu estou aqui para ser primeiro-ministro”, terminou.
Entre os presentes, destacavam-se o ex-presidente da Assembleia da república Mota Amaral, o presidente do Instituto Sá Carneiro, Alexandre Relvas, e os deputados Agostinho Branquinho, Costa Neves e Manuel Frasquilho e o presidente da distrital de Lisboa, Carlos Carreiras.


