O ministro da Defesa afirmou hoje que a democracia "não se fez apenas numa madrugada", nem "tem senhorios" ou "porta-vozes", sem dizer se se dirigia a Otelo, sobre quem apenas comentou que "não se deu ao respeito".
"Sei, sabemos todos, que as Forças Armadas, os seus militares, os nossos soldados, não se confundem com palavras de alguns ou com as intenções de outros tantos. Sei, sabemos todos, que os soldados portugueses não são políticos, não são dirigentes sindicais, não são funcionários públicos. Os soldados portugueses são cidadãos", afirmou José Pedro Aguiar-Branco, durante a cerimónia que assinalou hoje em Lisboa do Dia da Liga dos Combatentes.
Em declarações aos jornalistas no final da cerimónia, o ministro recusou explicar a quem se dirigiam estas palavras e, especificamente, se se referiam ao coronel Otelo Saraiva de Carvalho, que recentemente admitiu a possibilidade de um golpe militar em Portugal.
Sobre o militar de Abril, Aguiar-Branco limitou-se a afirmar que Otelo "não se deu ao respeito".
No discurso durante a cerimónia, o ministro afirmou que Portugal "deve" a democracia às Forças Armadas, acrescentando a seguir que no entanto "a democracia não se fez apenas numa madrugada, por mais brilhante que tenha sido" e, por outro lado, "não tem senhorios" e "muito menos porta-vozes".
Para Aguiar-Branco, este "legado" e este "património" das Forças Armadas não é ainda "propriedade de associações profissionais" e não pode ser "diminuído" num "qualquer debate sindical ou socioprofissional".
Para Aguiar-Branco, "constrói-se todos os dias" e "não no direito à manifestação, que a todos os portugueses é consagrado, mas na forma como esse direito é exercido."
"E construir a democracia, hoje, impõe que vençamos o desafio de reequilibrarmos as contas públicas que nos restitua a capacidade de sermos senhores do nosso destino, nos restaure o orgulho de ser português", acrescentou Aguiar-Branco.
"Só sairemos vencedores e vitoriosos se todos estivermos do mesmo lado da trincheira", concluiu.
Nas declarações que depois fez aos jornalistas, o ministro recusou mais uma vez dizer se neste discurso estava a criticar as associações socioprofissionais que representam os militares e que convocaram uma manifestação para sábado, reiterando aquilo que tem dito: a manifestação é um direito dos militares e está "tranquilo" em relação ao protesto e à forma como ele decorrerá.


