Aguiar Branco "não tem perfil" para liderar o partido e não terá apoio da Madeira

17.04.2008 - 12:01 Por Lusa
O líder do PSD-Madeira e do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, declarou hoje que o presidente da assembleia municipal do Porto, Aguiar Branco, "não tem perfil" para liderar o partido a nível nacional. "Obviamente que esse senhor não tem hipótese nenhuma de chegar a líder do PSD porque o PSD é um partido do povo profundo e não um partido da burguesia", afirmou.
Para o líder madeirense, "entregar o partido à alta burguesia do Porto era pior emenda que o soneto". Jardim, que acompanha a visita do Presidente da República à Madeira, comentava à margem da deslocação à Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos da Meia-Serra, o anúncio da disponibilidade de Aguiar Branco para desafiar a liderança de Luís Filipe Menezes.
Jardim apontou as "as péssimas relações do PSD/M com esse senhor", acrescentando que "se querem que o PSD/Madeira, que é de facto o grande triunfador do PSD a nível nacional se afaste, então ponham lá esse senhor a líder".
O deputado do PSD José Pedro Aguiar Branco disse em entrevista publicada hoje na Visão que pretende desafiar Luís Filipe Menezes na liderança do partido e garantiu estar disponível para tentar derrotar José Sócrates nas eleições em 2009. José Pedro Aguiar Branco defende que, até ao final do ano, e para não definhar, o PSD deverá ter um congresso e nova eleição para a liderança do partido. O deputado faz um diagnóstico negativo do PSD, referindo que "as expectativas criadas têm sido sucessivamente frustradas".
"A razão primeira assenta na própria dinâmica que a direcção nacional imprimiu ao seu mandato. Caiu numa lógica de perseguição, imputando a responsabilidade a tudo o que está para lá dela", disse. Perante o quadro, José Pedro Aguiar Branco diz estar disposto a contribuir para uma mudança a tempo de se apresentar uma alternativa em 2009.
Congressos também servem para avaliar lideranças
Questionado sobre como é que isso pode ser feito, o deputado do PSD remeteu para os mecanismos previstos nos estatutos do PSD. "Mal era se não houvesse mecanismos legais que permitissem substituir as pessoas. Os nossos estatutos prevêem a possibilidade de marcar congressos para se avaliar as lideranças, fazer balanços e tirar consequências", afirmou.
"Para convocar um Congresso são precisas 2500 assinaturas. E eu faço justiça ao dr. Menezes: havendo uma avaliação negativa da sua liderança em congresso, ele tiraria daí as consequências", acrescenta.
Sobre a possibilidade de se candidatar à liderança do PSD, José Pedro Aguiar Branco diz que "assume todas as responsabilidades que forem necessárias", mas considera que não será fácil ser eleito atendendo ao novo sistema de quotas do partido - que permite o pagamento até ao dia da votação. "Não é fácil, mas são as regras que temos. É verdade que distorcem o processo eleitoral, mas é preciso ir a votos com estas regras do jogo", frisou.
O deputado afirmou também que José Sócrates é "derrotável" porque há "falta de autenticidade na política e na atitude do Governo perante os problemas que o país enfrenta".
Questionado sobre o que o PSD tem a ganhar com a sua eleição como líder do partido, Aguiar Branco prefere não entrar na personalização. "Considero que o PSD ganhava com uma afirmação inequívoca daquilo que são as funções que competem ao Estado e à iniciativa privada. E nisto, o PSD disse...nada! (...)", referiu.
José Pedro Aguiar Branco afirmou também que se Luís Filipe Menezes for a eleições não será candidato a deputado. "Clarifico já que se o dr. Menezes for a eleições, não serei candidato a deputado. Não me move nenhuma motivação de carácter pessoal. Além de todos os critérios e lógicas de escolha, é preciso que as pessoas acreditem no projecto (...)", disse. O deputado do PSD considerou ainda que "a alternativa a José Sócrates passa por alguém que não deve ser Luís Filipe Menezes".

