O vice-presidente social-democrata José Pedro Aguiar Branco considerou hoje que o caso das alegadas escutas à Presidência da República desviou as atenções de questões desfavoráveis ao PS como o desemprego e prejudicou o PSD.
“É evidente que houve alguns factos que fizeram desviar as atenções durante a campanha eleitoral, nomeadamente o facto relacionado com as escutas da Presidência da República. Foi uma situação que fez desviar as atenções”, declarou Aguiar Branco aos jornalistas, num hotel de Lisboa, onde o PSD se reuniu durante esta noite eleitoral.
“Na última semana de campanha eleitoral não se falou de outra coisa a não ser dessa realidade, aliás, com aproveitamento do PS, tentando instrumentalizar essa situação em seu benefício”, acrescentou.
No seu entender, o destaque dado a esse caso fez com que não fossem tratados “problemas que eram incómodos para o PS como a taxa desemprego, o crescimento económico” e que permitiam “fazer um traço distintivo” do PSD em relação aos socialistas.
Segundo Aguiar Branco, os sociais-democratas tinham a “expectativa de que essa era uma situação que poderia prejudicar” o PSD e “parece que os resultados indicam que, efectivamente, prejudicou mais o PSD do que os outros”.
“Não estou aqui a referir se é o Presidente da República se não é o Presidente da República se foi alguém que introduziu isso, não estou a pôr nesse plano. Estou a pôr no plano de que a matéria em si, o facto de ter estado colocada sobretudo na última semana eleitoral, desviou as atenções dos problemas mais importantes. Isso é objectivo”, ressalvou.
“O senhor Presidente da República diz que depois das eleições irá prestar esclarecimentos relativamente a esta matéria. Aguardamos que o senhor Presidente da República diga sobre essa matéria o que tiver por bem dizer”, concluiu.
Questionado se entendeu que Cavaco Silva falaria depois das eleições legislativas de hoje ou depois das autárquicas de 11 de Outubro, Aguiar Branco respondeu: “Interpretei que seria depois destas eleições, mas não sei”.
Sobre a análise da derrota do PSD nas legislativas, declarou que “a prioridade neste momento é ganhar as eleições autárquicas” e que depois “depois se fará o balanço, retirando-se todas as consequências que têm de ser retiradas”.


