A acta da reunião do Conselho de Administração da Portugal Telecom do dia 25 de Junho não refere que a compra da TVI estava posta de parte e também não deixa perceber se o Governo conhecia ou não o negócio.
É a contradição central do negócio de compra da TVI pela PT: a acta fulcral, a da reunião do conselho de administração da telefónica ocorrida na tarde do dia 25 de Junho passado, não diz que afinal aquela transacção já não ia para a frente, como acertado entre Henrique Granadeiro e Zeinal Bava horas antes - e os próprios asseguraram nas respectivas audições na Comissão de Ética. Antes pelo contrário: deixa a porta completamente aberta para o negócio, havendo mesmo administradores a incentivar a conclusão da compra.
Segundo essa acta, que a PT remeteu no final da passada semana à Comissão Parlamentar de Inquérito ao negócio, houve pelo menos dois administradores que recomendaram à comissão executiva que desse os passos necessários "que permitam a conclusão rápida do negócio". E depois disso, nem Granadeiro nem Bava comunicaram aos administradores que, afinal, tinham decidido não avançar.
O assunto da compra da TVI foi abordado no terceiro ponto da ordem de trabalhos referente a "diversos", tendo os comentários do Presidente da República, pedindo transparência, servido como mola para a conversa. Houve mesmo quem dissesse que "a PT não recebe de ninguém lições de transparência nem de como fazer negócios", e também expressasse admiração por o assunto se ter tornado público quando não era sequer conhecido por toda a equipa directiva.
Henrique Granadeiro alertou os administradores para o "risco reputacional" do caso, tratando-se de uma operação num cenário de conflito latente entre o director-geral da TVI e o primeiro-ministro. E avisou da interpretação política que se poderia tirar daí: que seria um negócio de encomenda e não uma opção estratégica da empresa - controlada pelo Estado através de golden share. Também realçou que foi para evitar esse risco de interpretação política que já fizera uma declaração no dia anterior, de que o negócio de compra era iniciativa da PT e não fora resultado de qualquer indicação do Governo.
Entretanto, na acta da reunião da administração da Media Capital do mesmo dia afirma-se peremptoriamente que o negócio com a PT "está em curso". E horas depois, em simultâneo, Bava defende o negócio na RTP1 e Granadeiro comunica a José Sócrates o seu chumbo por iniciativa da PT.
O PÚBLICO contactou a administração da PT, mas esta recusou fazer qualquer comentário por se tratar de uma questão abrangida por sigilo.


