O PS e PSD nos Açores estão abertos a um pacto sobre autonomia. Para já apenas concordam com a extinção do cargo de representante da República (cuja designação anterior era ministro) que Passos Coelho mantém no seu projecto de revisão constitucional.
A líder regional do PSD, Berta Cabral, declarou-se ontem disponível para negociar com o seu homólogo do PS uma proposta comum de revisão da Constituição nas matérias respeitantes às regiões autónomas. Na sexta-feira passada, o presidente do governo e do PS açorianos, Carlos César, defendeu a realização de um pacto com a oposição nessa mesma matéria.
Berta Cabral, reivindicando para o seu partido a "paternidade" da autonomia, desafiou todos os partidos representados na Assembleia dos Açores e da República a subscreverem o seu projecto do PSD-A.
Carlos César retorquiu que "não existe um pai da autonomia" e que "todos os avanços que a autonomia obteve são fruto do diálogo e do consenso", lembrando ainda que se não tivesse sido o PS maioritário na Assembleia Constituinte "não haveria uma autonomia constitucional". O "fogo cruzado" entre César e Berta surge no rescaldo da visita de Passos a Ponta Delgada, na sexta-feira, e da aprovação no parlamento regional, nessa mesma noite, de uma proposta do PS que defende a extinção do cargo de representante da República para a região. A maioria dos partidos votou a favor (PSD, CDS e PPM), PCP absteve-se e BE votou contra, mas não houve entendimento em relação à entidade para a qual deveriam ser transferidas as suas competências.
Nos Açores, Passos não se comprometeu com a extinção do cargo do representante da República, reivindicado há muito por Jardim. Embora aberto a contributos das estruturas regionais, o presidente do PSD fez questão de realçar os méritos da proposta que a direcção do partido avançou para as autonomias e, dentro desta, o caso específico do representante da República, com um único titular comum a ambas as regiões, nomeado e exonerado pelo Presidente da República, ouvido o Governo.


