Acordo de ajuda financeira vai deixar o País pior do que no tempo de Salazar, adverte Garcia Pereira

18.05.2011 - 18:17 Por Lusa
O cabeça de lista do PCTP/MRPP por Lisboa às próximas eleições legislativas advertiu hoje que o acordo de ajuda financeira a Portugal vai levar o país a um estado pior do que no tempo de Salazar.
“A aplicação das medidas dos Programas de Estabilidade Crescimento (PEC) e mais ainda as do acordo com a ‘troika’ vão provocar um regresso do País a um estado pior do que no tempo de Salazar”, disse.
“E o desemprego será, seguramente, uma das consequências mais visíveis de um conjunto de medidas que atrofiará completamente o País”, acrescentou Garcia Pereira.
O candidato do PCTP/MRPP, que falava à Lusa durante uma acção de campanha junto à Autoeuropa, em Palmela, que se insurgiu contra o acordo da ‘troika’ com o governo português, criticou também as exigências da chanceler alemã Angela Merkel de unificação da idade da reforma e dos períodos de férias na União Europeia.
“É para igualizar quando se trata de tentar aumentar a idade da reforma ou as taxas de contribuição, mas não é para igualizar quando se trata de salários”, disse, criticando o facto de não haver por parte de Angela Merkel igual preocupação e nivelar os salários na União Europeia.
Garcia Pereira lembrou que o acordo de ajuda financeira a Portugal não só facilita os despedimentos, como também vai diminuir os custos salariais relativamente a trabalhadores que são dos que pior ganham a nível de toda a União Europeia.
Referindo-se ao aumento da taxa de desemprego no primeiro trimestre deste ano, para 12,4 por cento, que hoje foi anunciada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), Garcia Pereira lembrou que há cerca de 150.000 trabalhadores desempregados que nem sequer são contabilizados nas estatísticas oficiais.
“Estes 150.000 trabalhadores saltam fora das estatísticas dos desempregados oficiais, porque estão a frequentar uma acção de formação, ou porque têm um ‘gancho’, onde recebem umas miseráveis dezenas de euros”, disse.
“Somando estes cerca de 150.000 trabalhadores aos mais de 600.000 desempregados que constam dos dados oficiais, estamos a caminho dos 800.000 desempregados”, concluiu.

