"A vitória de Cavaco Silva não é o fim do mundo", realça Garcia Pereira

23.01.2006 - 10:17 Por Diana Ralha, , (PÚBLICO)
Não houve palmas nem bandeiras no ar, apenas silêncio. Pouco mais de dezena e meia de apoiantes de Garcia Pereira, na sua maioria militantes do PCTP-MRPP, juntaram-se aos muitos jornalistas presentes numa sala de vinte metros quadrados na Avenida de João XXI, em Lisboa. E na sede da candidatura de Garcia Pereira até se preferiu acabar de ver o filme de James Bond que passava na TVI do que assistir às primeiras projecções da noite eleitoral.
Quando instado pela comunicação social para mudar o canal de uma das duas televisões disponíveis na sala, um elemento do PCTP-MRPP recusou e disse ser "uma questão de gosto pessoal". O incidente não passaria de um fait divers se Garcia Pereira não tivesse imputado responsabilidades à comunicação social pelo recuo da sua candidatura face a 2001, quando obteve 1,5 por cento dos votos: "Este é um resultado melhor do que possível. Perante as limitações, é um resultado magnífico, depois de uma campanha eleitoral que demonstrou que estamos perante uma opereta. Fiz o que tinha que fazer em condições muito distintas de há cinco anos atrás. A igualdade de tratamento é uma farsa, é um direito que ficou pulverizado nesta campanha", afirmou o candidato, reforçando: "Numa candidatura de poucos meios, a televisão era muito importante e eu obtive um quarto do tempo de antena dos restantes candidatos".
"Acabámos de eleger um mudo." Garcia Pereira reagiu assim à vitória de Cavaco Silva. "Esta vitória deve-se, como sempre denunciei, a uma tentativa golpista e antidemocrática da candidatura de Mário Soares", acusou. Relativamente à derrota histórica da esquerda, assacou responsabilidades aos demais candidatos por não terem convergido num candidato único.
Acusou Cavaco de ser eleito sem nunca ter exprimido uma ideia concreta para o país: "Não sabemos o que pensa sobre a permanência das tropas portuguesas no Iraque, sobre o desemprego, sobre a criação de economia, e como pretende resolver os problemas da justiça".
Mas "não é o fim do mundo", reconheceu. "Iniciar-se-á uma fase de lutas e conflitos sociais", previu, garantindo estar na primeira linha da defesa dos interesses dos portugueses: "O trabalho contra a época cavaquista começa dentro de dez minutos", anunciou, despedindo-se.

