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Paulo Rangel põe-se fora da corrida

A vaga de apelos a Marcelo chegou pela TV e rádio

30.10.2009 - 09:19 Por Nuno Simas

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Para já, Marcelo Rebele de Sousa optou pelo silêncio Para já, Marcelo Rebele de Sousa optou pelo silêncio (Miguel Madeira (arquivo))
A notícia chegou de mansinho, ao fim da manhã de ontem: estava a formar-se uma "vaga" para tentar pressionar a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à presidência do PSD. Apesar de o ex-líder já ter dito, por duas vezes, que não queria ir "ao ringue", após ver recusada a sua proposta de discutir uma candidatura de unidade. Mas há quem não tenha desistido. A começar pela ala barrosista. Paulo Rangel, que ontem se pôs fora da corrida, também não. Para já, Marcelo optou pelo silêncio.

A informação de dirigentes sociais-democratas sobre a "onda" era deveras detalhada. Primeiro, seria Nuno Morais Sarmento, ex-ministro e actual presidente do conselho de jurisdição do PSD, a fazer declarações a favor de Marcelo na Rádio Renascença. À noite, seria Alexandre Relvas, director da campanha presidencial de Cavaco Silva, também na Renascença, a falar no seu habitual espaço de opinião na emissora católica. À noite, era o eurodeputado Paulo Rangel a ir à RTP dizer quem deveria ser candidato. "Eu aposto no professor Marcelo Rebelo de Sousa", afirmou. E garantiu "peremptoriamente" estar fora da corrida. Quase à mesma hora, na SIC, seria o ex-secretário-geral José Luís Arnaut a defender... Marcelo.

Nesta sucessão de declarações, só Morais Sarmento acabou por não falar, mas o resto do figurino confirmou-se. Um dia depois de Passos Coelho, único candidato anunciado à liderança, ter desafiado numa entrevista, à SIC-Notícias, o professor de Direito Constitucional a definir-se.

No final de uma semana de acalmia no PSD, recomeçaram as movimentações. Afinal, com semanas, meses pela frente, até às eleições para a sucessão de Ferreira Leite no primeiro trimestre de 2010, um grupo de dirigentes sociais-democratas dá sinais de preocupação por o ex-líder da JSD continuar sozinho no terreno. Desde ontem - ainda mais depois de Rangel ter recusado candidatar-se -, Marcelo voltou a estar na agenda para representantes de várias famílias, a começar por barrosistas e cavaquistas.

"O professor Marcelo tem, pela sua história, experiência, capacidade de captar e de mobilização e recrutamento de quadros às suas causas, tem condições para ser um líder do PSD excepcional", afirmou Rangel na entrevista a Judite de Sousa, na RTP, em que disse falar a título pessoal. O eurodeputado, que protagonizou a vitória do partido nas europeias de Junho, considera que os eleitores "não iriam compreender" que abandonasse Estrasburgo escassos quatro meses depois de ser eleito.

"Um partido que tem um militante com o valor como Marcelo não se pode dar ao luxo de o desperdiçar", afirmou Arnaut, realçando a sua capacidade de "federar" e "unir". Nem o facto de Marcelo já ter recusado fez desistir nem Rangel, nem Arnaut, nem Alexandre Relvas. Afinal, Rebelo de Sousa reagira com a frase do "ringue", nos Gato Fedorento, depois de ninguém ter apoiado a sua ideia de uma reunião de ex-líderes e outras personalidades para tentar uma solução de unidade. Ou, como afirmou Relvas, ter constatado que não estavam reunidas as condições para se candidatar. O passo seguinte, afirmou o presidente do IPSD, é agora criar a movimentação necessária no partido para que Marcelo entre na corrida.

Da candidatura de Passos Coelho não se ouviu ontem nem uma palavra sobre a "onda" pró-Marcelo. Um candidato que Rangel diz que quer "ser presidente por ser presidente" e que passou das suas "ideias hiperliberais" de há um ano para uma "aproximação ao bloco central" com o PS.

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Anónimo

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