A PT quis ficar com maioria da Taguspark violando regras, diz Isaltino

25.02.2010 - 08:18 Por José António Cerejo
A Câmara de Oeiras afirmou ontem, em comunicado, que a PT negociou em 2008 a compra das acções da EDP e do BPI na Taguspark SA, com o objectivo de se tornar a accionista maioritária, com 22% do capital. Segundo a autarquia, essa intenção, se tivesse sido concretizada, violaria o acordo parassocial, nos termos do qual a CMO terá de ser sempre a maior accionista.
Para contrariar esse projecto, que ia contra "as mais elementares regras vertidas no pacto social", Isaltino diz que a câmara se "opôs terminantemente" a ele, acabando por negociar com a PT uma solução em que ambas partilhariam as acções que a EDP (5%) e o BPI (11%) manifestaram interesse em vender por um valor próximo dos 6,6 milhões de euros.
Para atingir este objectivo, o município aprovou a aquisição um lote de acções do BPI por 408 mil euros, bem como uma fatia mais significativa da participação da EDP, que lhe custaria 1,3 milhões de euros. Esta operação seria acompanhada pela PT, que ficaria com os restantes títulos na posse das duas empresas - mas a autarquia manteria a maioria relativa, passando a telefónica para o segundo lugar, que actualmente pertence ao Instituto Superior Técnico (12,6%).
Na realidade nada disto foi por diante até agora, dado que a EDP, segundo uma fonte camarária, terá desistido de vender, e a compra ao BPI ainda não se concretizou, diz o comunicado, "por manifesta demora burocrática" do banco.
O documento divulgado pela CMO - em reacção a uma notícia do PÚBLICO de ontem em que se afirma que a PT assumiu o controlo da Taguspark, em 2007, com o apoio de Isaltino, Armando Vara (CGD) e do ministro Mariano Gago (que tutela os accionistas IST e Universidade Técnica de Lisboa) - contraria esta versão, sustentando que Rui Pedro Soares se apresentou em 2006, "em nome da PT, a liderar um grupo de accionistas em que se incluía, para além da PT, a CGD, o Millenium, a EDP, o BPI, o IST e a UTL, tudo isto com o apoio implícito" do ministro Mariano Gago.
Ainda em 2006, a CMO e a maioria dos accionistas chegaram a consenso sobre a "necessidade de substituir a administração", dirigida por Nuno Vasconcelos, "após se ter concluído" que ela "mais não fazia do que gerir a empresa como se da administração de um condomínio se tratasse" e de uma forma "muito distante dos ambiciosos objectivos de um parque de ciência e tecnologia" como este.
"Depois de várias insistências da câmara", adianta o comunicado, a generalidade dos accionistas entendeu que a equipa em funções "estava a condenar o Taguspark, incapaz de dar andamento a um plano estratégico para a empresa". A posição da CMO na escolha da nova administração, sublinha Isaltino, "não foi norteada pelo número de elementos por si indicados, mas sim pela qualidade e competência dos mesmos". A câmara rejeita assim a ideia de que a sua posição foi secundarizada e sustenta que a sua filosofia "não se baseia na velha política de assegurar jobs for the boys, mas sim em garantir "a excelência dos nomeados".
Isaltino mostra, contudo, a sua desilusão com a equipa de Américo Thomati, afirmando que "a actual administração, decorridos mais de dois anos sobre o início do seu mandato, não foi ainda capaz de apresentar o referido plano estratégico". O site da Taguspark diz porém, desde há dias, que esse plano já está concluído.

