A maioria absoluta do PS “manterá tudo igual”, alerta Louçã

25.09.2009 - 07:27 Por Maria José Oliveira
Francisco Louçã acredita que nas últimas horas de campanha “todas as decisões serão tomadas”. Por isso, ontem à noite, em Santa Maria da Feira, lançou um contra-ataque fortíssimo contra o PS, apontando que “quem pede a maioria absoluta só quer atraso, dificuldade e injustiça”.
Os resultados das sondagens, que revelam uma subida das intenções de voto no PS e uma redução do Bloco de Esquerda (BE), pautaram o discurso de Louçã no comício realizado no Cine-Teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira.
Perante cerca de seis centenas de pessoas, o líder bloquista refutou o entusiasmo dos socialistas, que entretanto já pediram uma “vitória estrondosa”, apelando aos eleitores para rejeitaram as ambições do PS. Porque, explicou, “já sabemos o que é a maioria absoluta, já sabemos quem eles são e já sabemos que a maioria só significa o agravamento da crise”.
A mensagem de Louçã foi clara: se o PS vencer com maioria absoluta o país já sabe o que vai acontecer no dia seguinte. “Manterá tudo igual, toda a prepotência. Pior: se já fez o que fez nos últimos quatro anos e meio imaginem o que farão a seguir”, disse. A ideia serviu para acentuar o contraste com o Bloco. Que “na segunda-feira terá as mesmas prioridades, as mesmas lutas”.
Em Santa Maria da Feira, Louçã concentrou-se em sublinhar que as propostas da “justiça na economia” não poderão determinar a eventual governação socialista num cenário de maioria absoluta. Aqui, o alvo era claramente o eleitorado indeciso. “Para derrotar o Código do Trabalho poderá a esquerda conseguir fazê-lo com José Sócrates e a sua maioria absoluta?”, questionou.
Até à meia-noite de hoje, Louçã vai insistir nestas questões, estando agendado um jantar-comício em Braga e logo a seguir um comício de encerramento no Coliseu do Porto. Nestes dois lugares, o líder do Bloco repetirá certamente o pedido com o qual rematou o discurso na Feira: “Mais de meio milhão de votos de homens e mulheres vão votar no Bloco. Esse é o voto útil, esse é o voto útil que vai vencer a maioria absoluta.”

