25 de Abril: Jaime Gama considera indispensável para a democracia a criação de ideias políticas

25.04.2008 - 13:28 Por Lusa
O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, defendeu hoje que a criação de ideias políticas é indispensável para a democracia e salientou a responsabilidade que actualmente recai sobre os partidos e sobre os responsáveis públicos.
Na sessão solene parlamentar comemorativa do 25 de Abril, Jaime Gama defendeu, por outro lado, "um enquadramento institucional" da língua portuguesa, com "uma atribuição de recursos à altura da responsabilidade da tarefa".
"Não há democracia sem política e não há política sem ideias políticas", afirmou o presidente da Assembleia da República, na sua intervenção.
"A democracia é um debate que assenta na vertiginosa criação de ideias. Prosseguir o espírito do 25 de Abril e ser-lhe fiel é manter vivo em cada um de nós o valor das ideias", acrescentou.
Segundo Jaime Gama, "a agenda política que realmente conta exige um esforço acrescido e sustentação, demonstração e argumentação, agora exercido num espaço público cada vez mais descentralizado e competitivo".
Isso "faz recair sobre os partidos políticos a grande responsabilidade de agir mais como intermediários inteligentes da própria sociedade que nasce, se afirma e renova, do que como depositários letárgicos de opiniões feitas ou de posições instaladas", concluiu.
Antes, Jaime Gama disse que os "tempos difíceis" exigem, "a par da qualificação, transparência e seriedade da Administração e dos titulares dos órgãos de soberania como factores essenciais" e que é preciso "sentido de missão dos responsáveis públicos em geral" para "enfrentar sem tréguas áreas de tão elevada complexidade como, por exemplo, o combate à criminalidade económica e financeira e à corrupção".
Quanto à língua portuguesa, o presidente da Assembleia da República defendeu que esta "há muito devia ter justificado, em Portugal, a definição de um enquadramento institucional e de uma atribuição de recursos à altura da responsabilidade da tarefa, tendo a coragem de começar por confessar a insipiência, o amadorismo e a falta de meios com que o assunto é tratado".
"Apelo para que, finalmente, o tema seja estudado em toda a sua extensão e possam ser tomadas medidas adequadas antes de iniciarmos a presidência portuguesa da CPLP, no próximo mês de Julho", declarou.
"A consolidação e difusão da língua portuguesa no mundo é um factor indispensável de democracia internacional a que não podemos ficar alheios", reforçou Jaime Gama, pedindo um empenho sério nos dois anos de presidência portuguesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Jaime Gama enalteceu no seu discurso "os militares que empreenderam a Revolução dos Cravos" há 34 anos, lembrou "todos quantos lutaram pela democracia" e enumerou o que considera serem "as reais melhorias destas três décadas e meia" em termos económicos e sociais.

