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Presidente da República apelou à inclusão social

25 de Abril: discurso de Cavaco Silva agrada a Sócrates mas divide oposição

25.04.2006 - 17:51 Por Lusa

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Apenas o PCP, Bloco de Esquerda e o “Os Verdes” não aplaudiram o discurso de Cavaco Silva Apenas o PCP, Bloco de Esquerda e o “Os Verdes” não aplaudiram o discurso de Cavaco Silva (António Cotrim/Lusa)
O discurso comemorativo do 32º aniversário da revolução de 25 de Abril de 1974 do Presidente da República, Cavaco Silva, no qual apelou à inclusão social, recebeu o apoio do primeiro-ministro, José Sócrates, mas dividiu a oposição. PS, PSD e CDS-PP aplaudiram o chefe de Estado, enquanto PCP e Bloco de Esquerda subscreveram as preocupações de Cavaco Silva mas questionando a sua concretização.

"Achei muito bem. Não posso estar mais de acordo com o senhor Presidente da República, ao chamar a atenção do país para a necessidade de fazer mais no que respeita à justiça social e relembrar o quanto há para fazer para que Portugal seja um país mais justo, mais solidário e mais igual", afirmou José Sócrates aos jornalistas, no Parlamento.

O chefe de Governo chegou a dar como exemplo o Complemento Solidário para Idosos, um diploma aprovado pelo Executivo na "linha" do discurso de Cavaco Silva, "para compensar a pobreza mais desesperada, mais efectiva", bem como a decisão de "acelerar o investimento em equipamentos sociais, em lares, creches e centros de dia".

"Este discurso do senhor Presidente da República, ao lembrar a importância da justiça social, veio também legitimar essa acção que o Governo decidiu fazer apesar de todas as dificuldades", defendeu Sócrates, salientando que "muita gente criticou" o Complemento Solidário para Idosos devido à situação orçamental do país.

O PS fez igualmente um balanço positivo do discurso de Cavaco Silva, que considerou “um discurso com uma fortíssima preocupação social”. “Estamos de acordo com esse grande desígnio", sublinhou o líder da bancada socialista, Alberto Martins, que aplaudiu de pé a intervenção do chefe de Estado.

Para Alberto Martins, este "não foi um discurso de crítica ao Governo”, mas “um discurso com uma visão estratégica que está identificada" com a do PS e do Governo. "Contrariando os discursos penumbristas de PSD e CDS, Cavaco Silva fez um discurso sobre a realidade diversa do país, falou nos dois 'Portugais'", concluiu.

O líder do PSD, Marques Mendes, classificou de "excelente" a intervenção presidencial, exaltando a qualidade de "social-democrata" de Cavaco Silva.

"É importante que Portugal seja um país rico mas, sobretudo, que seja uma sociedade mais justa", salientou Marques Mendes. O líder do PSD destacou ainda a oportunidade das palavras de Cavaco Silva, lembrando que "num momento em que as pessoas têm dificuldades e enfrentam sacrifícios, têm de ter esperança no seu futuro e no seu país".

Também satisfeito com o discurso de Cavaco Silva ficou o CDS-PP, com o deputado e vice-presidente da Assembleia da República Telmo Correia a elogiar a "excelente escolha" do tema da intervenção. "O Presidente não foi pela agenda normal da política diária e escolheu fazer um discurso presidencial lembrando aqueles portugueses que são os mais esquecidos, como as crianças, os idosos ou as mulheres", afirmou.

Menos entusiasmados ficaram PCP, Bloco de Esquerda e o Partido Ecologista “Os Verdes”, que não aplaudiram o discurso.

O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, admitiu duvidar, ao diagnóstico feito por Cavaco Silva, se seguirão medidas concretas para reduzir as desigualdades. "É fácil subscrever as preocupações, o problema destes discursos é sempre saber como foi possível chegar aqui, quem foram os responsáveis", sustentou, alertando que "mais uma vez se corre o risco de a culpa morrer solteira".

Na mesma linha, o líder do Bloco de Esquerda Francisco Louçã considerou este discurso "uma alteração da posição" de Cavaco Silva, recordando que como primeiro-ministro recusou introduzir o Rendimento Mínimo Garantido e "fez atrasar a política de inclusão em Portugal". Louçã criticou ainda o apelo de compromisso cívico proposto por Cavaco Silva, considerando-o um projecto "inviável, irrealista e pouco credível".

"Se se pensa que a resolução desse problema decorre de um acordo entre patrões e sindicatos, Governo e oposição, é como apelar ao país para que fique sentado", continuou.

“Os Verdes” consideraram através da deputada Heloísa Apolónia que o Presidente da República terá de, "na sua acção", concretizar as preocupações que deixou hoje no Parlamento. "Cabe-lhe alguma responsabilidade depois deste discurso", reiterou.

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Bom discurso - reacções sofríveis

Sem duvida um excelente discurso sobre um tema mais que actual e onde accao correctiva urge. Triste ...

Anónimo

26.04.2006 03:42

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