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Milhares de pessoas desfilam em Lisboa e no Porto

25 de Abril: desfile de militares e homenagem às vítimas da PIDE assinalaram 34º aniversário

25.04.2008 - 20:53 Por Lusa

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"Grândola Vila Morena", a palavra de ordem "25 de Abril Sempre" e os cravos voltaram a marcar as comemorações de Abril "Grândola Vila Morena", a palavra de ordem "25 de Abril Sempre" e os cravos voltaram a marcar as comemorações de Abril (Carlos Lopes (arquivo))
Milhares de pessoas desfilaram hoje entre o Marquês de Pombal e o Rossio, em Lisboa, para assinalar o 34º aniversário do 25 de Abril. Na capital, aos civis juntaram-se associações de militares que apelaram à "coesão nacional" e a urgência em encontrar respostas que combatam uma "explosão social". No Porto, centenas de pessoas concentraram-se junto ao antigo edifício da PIDE, para homenagear as vítimas da polícia política do antigo regime.

O desfile em Lisboa, organizado pela Associação 25 de Abril e a que se associaram também dirigentes partidários e sindicais, celebrou o 34 aniversário da revolução ao som da canção "Grândola Vila Morena", com a palavra de ordem "25 de Abril Sempre" e tendo como "ex-libris" o blindado Chaimite que em 1974 protagonizou um dos momentos simbólicos do 25 de Abril ao levar Marcelo Caetano do Quartel do Carmo, onde se tinha refugiado, a caminho do exílio.

"Nós militares e, particularmente, os oficiais, temos uma enorme preocupação com a coesão nacional e essa coesão nasce de um todo (...), isto é, a coesão consegue-se desde que as múltiplas tarefas do Estado e da economia privada cumpram as suas funções", disse à Lusa o coronel Tassos Figueiredo, representante da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), uma das presentes no desfile em Lisboa.

Apesar de afirmar tratar-se de "um dia de festa", o representante da AOFA não poupou críticas ao actual Governo, "cuja responsabilidade é determinante para uma melhor educação, ensino, política externa, economia e também na vertente militar". "Generais, que sabem do que estão a falar, alertaram para o perigo de explosões sociais e para nós é particularmente dramático que mais de 30 anos após o 25 de Abril se esteja a processar uma regressão em termos de tecido social, regressão essa que põe em causa a coesão nacional", adiantou.

Ao desfile, juntaram-se também em representação dos militares, para além da AOFA, as associações de Sargentos (ANS), de praças (APA) e dos militares na reserva e reforma (ASMIR).

A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP-PSP) marcou igualmente presença no desfile, mas em sinal de protesto e não de comemoração. "Parece impossível como é que o 25 de Abril ainda não chegou à nossa instituição. Temos horas para entrar e nunca temos horas para sair e se isso fosse reformulado e se isso nos fosse dado era um grande passo dentro da nossa instituição", disse o presidente da distrital de Lisboa da ASPP-PSP, Nelson Brito, argumentando que todos os dias são dias de reivindicação.

"Somos muitos, muitos mil para continuar Abril"

No Porto, o Largo Soares dos Reis foi o local escolhido para a concentração que pretendeu prestar homenagem às vítimas da PIDE. "Somos muitos, muitos mil para continuar Abril", "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais" e "Abril vencerá" foram as palavras de ordem gritadas pelos manifestantes no momento em que foi depositada uma coroa de flores à porta do edifício onde funcionava a polícia política e que agora alberga o Museu Militar do Porto.

Muitos balões de várias cores e cravos vermelhos, verdadeiros e de papel, deram colorido à concentração, que incluiu dois curtos discursos.

Sérgio Vinagre, dirigente do PCP-Porto, salientou que "muito foi perdido" ao longo destes 34 anos, pelo que "é o momento de desfraldar novas bandeiras", em defesa da liberdade, do acesso à informação e do trabalho com direitos.

"Temos hoje um Portugal mais desigual", disse, destacando a "precariedade, a insegurança e o aumento do custo de vida" como alguns dos maiores problemas actuais, que afectam, sobretudo, os jovens.

Contudo, Sérgio Vinagre manifestou-se esperançado no sucesso da luta contra os males da actual "sociedade empobrecida", sublinhando que "os direitos que se perderam serão recuperados".

Depois dos discursos e da deposição da coroa de flores, os manifestantes partiram em desfile até à Baixa da cidade, encabeçado por um grupo de bombos.

Na primeira fila, seguia o coordenador da União de Sindicatos do Porto (USP/CGTP), João Torres, uma das poucas figuras públicas presentes na concentração.

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Viva a República

Viva a república e basta!

Anónimo

25.04.2010 15:08