A Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP) vai pedir reuniões ao Presidente da República, ao Governo e aos principais partidos políticos para defender um "entendimento" quanto ao futuro dos grandes projectos de obras públicas.
A associação admite, mesmo, pedidos de indemnizações por investimentos já feitos, se o novo Governo retroceder nos planos actuais
O anúncio foi hoje feito em conferência de imprensa por Filipe Soares Franco, presidente da direcção da ANEOP, que representa as 37 maiores construtoras portuguesas e é uma das três estruturas associativas que a nível nacional estão associadas ao sector, sob o chapéu da federação.
Em causa estão principalmente a linha ferroviária de alta velocidade e o novo aeroporto de Lisboa, projectos em relação aos quais Soares Franco espera que "não se entre em novas discussões" depois da tomada de posse do novo Governo, uma vez que acredita que as decisões ficarão em suspenso até essa data.
"Já temos muitas dezenas de milhões de euros investidos, estamos a falar de projectos que implicam a dedicação de equipas e de muito tempo", sublinhou. "Não podemos deixar que os projectos sejam parados sem sermos ressarcidos dos investimentos que fizemos", disse também o dirigente da associação.
Dentro do pacote dos grandes projectos, as grandes construtoras incluem também as auto-estradas, a nova rede de hospitais e as novas barragens.
Investimentos já feitos
Nas contas da ANEOP, relativamente à construção da linha de alta velocidade entre Lisboa e o Caia (que se prolonga até Madrid do lado espanhol), as empresas portuguesas já investiram um total de 30 milhões de euros nos dois concursos já lançados pelo actual Governo.
Isto porque cada um dos dois consórcios, liderados pela Brisa/Soares da Costa e pela Mota-Engil, aplicou uma média de 7,5 a 8 milhões de euros em cada um dos dois troços. O processo mais adiantado diz respeito ao percurso Poceirão-Caia, que só será adjudicado depois das eleições.


