O secretário-geral do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), partido da oposição do Zimbabwe, foi hoje formalmente acusado de traição, poucas horas depois de ter sido detido no aeroporto de Harare, quando regressava de várias semanas no exílio.
Wayne Bvudzijena, porta-voz da polícia nacional zimbabweana, anunciou que Tendai Biti “será acusado por ter violado a secção 20 do Código Penal ao publicar um documento a explicar uma estratégia para a transição [do Governo], perto de 26 de Março”. O secretário-geral do MDC é acusado de traição por ter sido responsável pela “publicação de falsas informações prejudiciais para o Estado, quando proclamou que [o líder do partido da oposição Morgan] Tsvangirai ganhou a eleição presidencial antes da publicação dos resultados oficiais”.
Tendai Biti foi detido hoje à chegada à capital zimbabweana. À sua espera estava uma dezena de polícias, que o detiveram antes de passar pelas autoridades do aeroporto.
Duas horas mais tarde, também Morgan Tsvangirai foi interpelado pelas autoridades durante um bloqueio rodoviário no centro do país. O líder do MDC foi conduzido até à esquadra da polícia de KweKwe, onde esteve retido durante duas horas. Tsvangirai acabou por ser libertado, bem como outros responsáveis e apoiantes do seu partido. “Fomos todos libertados e continuaremos a nossa campanha em KweKwe”, disse à AFP George Sibotshiwe, porta-voz de Tsvangirai.
Durante as eleições gerais de 29 de Março, o MDC derrotou o regime do Presidente Robert Mugabe, no poder desde 1980. O partido da oposição não só conseguiu o controlo da câmara dos deputados, como Tsvangirai venceu o chefe de Estado na primeira volta da eleição presidencial. Depois de Mugabe e Tsvangirai terem ficado aquém do resultado que lhes permitiria serem eleitos à primeira volta foi agendada para o próximo dia 27 a segunda volta do escrutínio.


