Zelaya atravessou por breves minutos a fronteira entre a Nicarágua e as Honduras

24.07.2009 - 20:57 Por AFP
O Presidente das Honduras, deposto por um golpe militar a 28 de Junho, regressou hoje por breves minutos ao país. Manuel Zelaya atravessou a pé a fronteira, mas regressou pouco depois à Nicarágua para evitar ser detido.
Acompanhado por uma legião de jornalistas e câmaras, Zelaya aproximou-se de uma corrente que marca a separação entre as duas nações da América Central, parando várias vezes para dar entrevistas por telefone. Em seguida, deu alguns passos em direcção à localidade hondurenha de Las Manos e posou para os fotógrafos antes de regressar ao lado da Nicarágua, relata a Reuters.
A alguns metros da fronteira, dezenas de manifestantes gritam “Viva Mel”, o diminutivo pelo qual Zelaya é conhecido, adiantou o correspondente da agência noticiosa AFP.
Algumas horas antes, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Governo de Zelaya, Patrícia Rodas, tinha dito que iria reunir-se com várias organizações para determinar se seria possível entrar nas Honduras, onde Zelaya pode ser detido por estar a ser acusado por traição e corrupção pelo Goveno instituído após o golpe, liderado por Roberto Micheletti.
A chegada à fronteira ocorreu após dois fracassos: o da primeira tentativa de chegar às Honduras, que foi travada pelos militares a 5 de Julho, quando ocuparam o aeroporto de Tegucigalpa, e o fracasso das negociações mediadas pelo Presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que propôs o regresso de Zelaya como presidente e uma antecipação das eleições para Outubro.
Durante a tarde, milhares de apoiantes de Zelaya juntaram-se em El Paraíso, a alguns quilómetros da fronteira, para receber o Presidente deposto. Houve confrontos e vários feridos, uma vez que já tinha entrado em vigor um recolher obrigatório decretado pelo Governo de Micheletti.
Zelaya foi deposto por um golpe militar, acusado pelos opositores de estar a preparar uma alteração constitucional que permitisse ao Presidente permanecer no cargo por mais do que um mandato.
Notícia actualizada às 22h12

