Os mexicanos foram muitas vezes às urnas com o coração pesado. Hoje vão outra vez, dobrados pela crise económica e pela onda de criminalidade, cujo combate tomou nalgumas regiões o aspecto de uma guerra civil.
Há duas semanas, o Presidente Felipe Calderón, no cargo desde 2006, tentou desdramatizar a situação, afirmando que apesar das adversidades o México não “vergara”. Mas os factos dizem outra coisa.
Segundo números oficiais, a economia mexicana cairá este ano mais de cinco por cento, senão mais – especialistas citados pela agência de notícias IPS apontam para o dobro. Em qualquer dos casos a contracção do mercado será a maior desde 1995, quando o produto encolheu 6,2 por cento.
Nos primeiros cinco meses do ano, perderam-se 288 mil empregos formais, quer dizer, os que contam com a protecção social. Antes de acabar o ano, o contingente destes desempregados deverá aumentar para cerca de 600 mil.
Em paralelo, aumenta o desequilíbrio das finanças públicas, o que deverá obrigar o Governo a definir para 2010 medidas de austeridade, incluindo o lançamento de novos impostos. Entre Janeiro e Maio, pela primeira vez numa década, os gastos correntes do Estado excederam as receitas.
Outra das crises que pesaram nesta campanha foi a da criminalidade. Entre Setembro de 2008 e Abril deste ano foram assassinadas no país 5378 pessoas, mais do dobro do que no mesmo período anterior. Mas nesta guerra ainda é o Presidente que marca pontos, motivo porque continua popular e porque o seu PAN sofrerá apesar de tudo uma derrota moderada nas urnas.
O Governo decretou logo em 2006 uma luta sem quartel contra o crime organizado, cuja expressão maior é o narcotráfico. Dezenas de milhares de polícias e soldados enfrentam os cartéis da droga, principalmente nas regiões próximas dos Estados Unidos. E estão em curso depurações de departamentos oficiais para reduzir a influência dos cartéis da Administração, onde se espalhou durante décadas.
A questão agora é se a nova conformação parlamentar não tirará ao Presidente a capacidade de manobra que precisa para sanear a economia e continuar a guerra ao narcotráfico ao longo dos últimos três anos do seu mandato.


