Julian Assange já foi libertado, e agradeceu "a todos os que continuaram a acreditar" em si, numa declaração à saída do Supremo Tribunal em Londres, em que aludiu de forma indirecta ao soldado que será a fonte da fuga de informação que o tornou um inimigo dos EUA.
"Durante o tempo em que estive preso naquela prisão vitoriana, pude reflectir nas condições em que estão a viver muitas pessoas noutros locais do mundo, muito pior do que eu, em solitária, que merecem a nossa atenção e apoio", disse Julian Assange, ao sair até à porta do tribunal. Estas palavras correspondem à situação em que está a viver o soldado Bradley Manning, um analista de informação detido há sete meses, no Iraque, descrita pelo jornalista Glenn Greenwald na revista online "Salon" ontem.
Manning está preso em isolamento durante 23 horas por dia, em Quantico, na Virginia, e foi acusado de ser a origem da fuga de informação - mas ainda não foi a julgamento. E, segundo Greenwald, além do isolamento - que pode ser considerado uma forma de tortura -, são-lhe negadas algumas condições básicas, como o mero uso de uma almofada.
De acordo com o "New York Times", a estratégia norte-americana para tentar acusar Julian Assange pela divulgação dos telegramas diplomáticos do Departamento de Estado poderá passar por tentar provar que Manning e o editor do site Wikileaks estiveram em comunicação desde o início. Dessa forma, tentariam provar que houve conspiração, fugindo aos problemas espinhosos da liberdade de expressão e de impresa defendidos pela Primeira Emenda a que esta fuga de informação está ligada, até porque os telegramas estão a ser trabalhos jornalisticamente por cinco grandes jornais internacionais.
Corrida contra o tempo
Houve uma verdadeira corrida contra o tempo esta tarde para que Julian Assange não voltasse para a prosão. O juiz exigiu que mais cinco pessoas se responsabilizem pelo paradeiro de Assange, quando sair da prisão, além das duas que já o tinham feito, já que o dinheiro da fiança - paga por apoiantes célebres do editor do Wikileaks, como o realizador Michael Moore - não estava ainda todo reunido.
Só que algumas dessas pessoas não estão em Londres, para assinar os documentos legais necessários, o que poderia impedir a libertação de Assange já hoje. Essas pessoas, diz o "Guardian", são são o ex-jornalista e escritor Phillip Knightley, o editor Felix Dennis, o biólogo molecular (e galardoado com o Nobel) John Sulston, o ex-ministro trabalhista e membro da administração da casa editorial Faber & Faber Lord Matthew Evans e a professora Patricia David. Mas como duas destas pessoas estão ausentes de Londres, o juiz aceitou que fossem substituídos pelo solicitador Geoff Shears e pela baronesa e ambientalista Tracy Worcester.
O juiz Duncan Ouseley, que presidiu à sessão, dissera antes da decisão que "a história da forma como os procuradores suecos têm lidado com este [caso] daria ao senhor Assange algumas bases para ser absolvido se houver julgamento", descreveu o site do jornal britânico "The Guardian", que tinha vários jornalistas a acompanhar a sessão.
Assange recebeu inicialmente luz verde para se sair em liberdade condicionada na terça-feira, dada pelo juiz Howard Riddle, mantendo-se no Reino Unido, onde foi detido ao abrigo de um mandado de captura internacional e extradição para a Suécia – contra o pagamento de fiança de 240 mil libras (cerca de 282 mil euros). Terá de usar uma pulseira electrónica, apresentar-se diariamente numa esquadra.
Terá ainda de voltar a tribunal a 11 de Janeiro, enquanto é avaliado o pedido de extradição para a Suécia, onde as autoridades querem que Assagen colabore no inquérito sobre as queixas de violência sexual apresentadas contra ele por duas mulheres. Não foi ainda formalizada qualquer acusação.


