Votos das legislativas vão ser recontados na Moldávia

07.04.2009 - 13:15 Por Dulce Furtado, com agências
As autoridades moldavas e os partidos da oposição chegaram a acordo para uma recontagem dos votos das eleições domingos, após confrontos violentos nas ruas da capital, Chisinau, que causaram um morto e 30 feridos.
Com os ânimos já mais apaziguados na rua – a Reuters dava conta de tréguas – os líderes da oposição começaram a dirigir-se à multidão de manifestantes, na esmagadora maioria estudantes que tinham iniciado os protestos no dia anterior, respondendo aos apelos do líder do Partido Liberal Democrata, Vladimir Filat.
Mas uma mulher morreu sufocada no interior do Parlamento, segundo relatou a televisão pública moldava.
E a mensagem passada foi a de exigência de novas eleições legislativas, numa denúncia dos resultados do sufrágio de domingo, dos quais o Partido Comunista Moldavo, liderado pelo Presidente do país, Vladimir Voronin, saiu com maioria absoluta.
“Queremos novas eleições e vamos ganhá-las”, instou o líder do Nossa Moldávia, Serafim Urecheanu, um dos três partidos da oposição que também conquistaram assentos parlamentares.
Ao longo de toda a manhã, cerca de dez mil pessoas encheram as ruas contra a vitória dos comunistas moldavos, pró-europeus – que a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa avaliou como tendo sido obtida numas eleições “na generalidade, de acordo com as normas e os princípios internacionais”.
Durante os protestos, um pequeno grupo de jovens conseguiu entrar no Parlamento, assim como nos gabinetes presidenciais – localizados em edifícios que ficam um em frente ao outro na mesma avenida principal de Chisinau –, onde derrubaram portas, lançaram pedras e partiram janelas, apesar do cerco policial que tentava afastar a multidão com canhões de água.
“A situação está sob controlo da polícia e assim permanecerá”, afirmou o porta-voz do Ministério do Interior, Alla Meleka, em declarações à agência noticiosa russa RIA Novosti. Mas, ao mesmo tempo, um fotógrafo da Reuters asseverava que o gabinete do Presidente estava sob o controlo dos manifestantes.
O alto representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança Comum, Javier Solana, lançou prontamente um apelo aos manifestantes para pararem com os actos de violência, instando ao mesmo tempo as autoridades moldavas para que permitam a realização de protestos pacíficos. A Moldávia, o mais pobre dos países europeus, é um dos seis antigos estados soviéticos com os quais a UE pretende lançar um novo programa de maior cooperação, já no próximo mês, na cimeira de Praga.
Notícia actualizada às 18h11



