Voto holandês indicia subida da extrema-direita nas eleições europeias 
05.06.2009 - 19:00 Por PÚBLICO, Agências
O resultado obtido pelo partido anti-islâmico de Geert Wilders nas eleições para o Parlamento Europeu na Holanda poderá ser um sinal de um bom desempenho dos partidos de extrema-direita noutros países europeus.
O Partido para a Liberdade dos Holandeses conquistou 17 por cento dos votos e foi segundo mais votado, com menos três pontos do que os democratas-cristãos do CDA, numa eleição marcada por uma forte abstenção: apenas 36 por cento dos eleitores deste país fundador da União Europeia foram às urnas.
O resultado de Wilders, um líder político que vive permanentemente vigiado por seguranças, abre perspectivas perturbadoras relativamente ao escrutínio europeu, que se prolonga até domingo, e quanto ao futuro da Holanda, onde o PVV aspira a ser Governo.
Uma eventual subida da extrema-direita, que é beneficiada por uma abstenção elevada, é uma das lições possíveis de uma eleição num contexto de crise económica e social.
Mario Telo, presidente do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Livre de Bruxelas, diz que “esse risco é possível, tal como nos anos 1930, com a diferença de que um sucesso da extrema-direita não terá um efeito político directo”, afirma. No entanto, será suficiente para mostrar que a crise política é grave, sustenta.
Wilders foi apelidado de “grande vencedor” das eleições pela imprensa holandesa, que vê nele o sucessor de Pim Fortuyn, o líder populista assassinado em 2002, a poucos dias de uma eleição legislativa em que partia favorito.
“Wilders só existe porque Fortuyn desapareceu. Havia um vazio a preencher”, disse à AFP o escritor marroquino e professor da Universidade de Amesterdão, Fouad Laroui.
Para Laroui, “em todos os países da Europa existem dez a 20 por cento de vozes potenciais que se dirigem para um homem de extrema-direita, populista, que usa uma linguagem simplista e caricatural”, acrescenta.
Para Alfred Pijpers, investigador do Instituto Holandês de Relações Internacionais, [Wilders] tenta jogar nos mesmos temas que Fortuyn e reivindica-se, como ele, de uma ideologia fascista anti-islâmica”.
Várias sondagens apontam para que o PVV venha a ser o partido mais votado nas legislativas de 2010, colocando-se em posição para formar Governo. Mas Alfred Pijpers pensa que essa hipótese não se concretizará. “Wilders reforça paradoxalmente a coesão entre os partidos estabelecidos. Esse partidos aprenderam as lições do passado, quando governaram com o partido de Pim Fortuyn, muito instável e pouco profissional”.
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