A eurodeputada socialista Ana Gomes vai ser recebida hoje pelo procurador-geral da república, Pinto Monteiro, a quem transmitirá todas as informações de que dispõe sobre a passagem de voos da CIA por Portugal para o transporte ilegal de prisioneiros suspeitos de terrorismo.
Ana Gomes, que pertence à comissão temporária do Parlamento Europeu que investigou a alegada utilização de países da União Europeia para voos e escalas ilegais da secreta norte-americana, justificou o pedido da reunião com o procurador-geral com a recusa do Governo de Lisboa em avançar com um inquérito mais aprofundado sobre o assunto.
A deputada europeia eleita pelo PS disse à Lusa que na audiência, solicitada na segunda-feira passada, vai fornecer a Pinto Monteiro todos os elementos de que dispõe sobre o caso de Portugal e dar conta das questões que considera estarem por responder, "cabendo depois ao procurador-geral decidir" sobre a abertura de um inquérito.
"Não tencionava fazer isto tão cedo e até esperava que não fosse preciso e fosse o governo a tomar a iniciativa, mas achei que não podia esperar mais", afirmou a deputada socialista.
A eurodeputada — que divulgou a existência de testemunhos nos Açores sobre "situações estranhas" — admitiu, há duas semanas, participar todos os dados de que dispõe ao Ministério Público português após a aprovação do relatório final pelo plenário da assembleia de Estrasburgo, prevista para Fevereiro.
Jornalista da "Visão" participa dados à procuradoria-geral
A Procuradoria-Geral da República já está a avaliar a possibilidade da abertura de um inquérito sobre a alegada utilização pela CIA de aeroportos portugueses para o transporte ilegal de prisioneiros suspeitos de terrorismo, na sequência de uma participação feita esta semana pelo jornalista da "Visão" Rui Costa Pinto.
As informações fornecidas pelo jornalista ao procurador-geral Pinto Monteiro foram recolhidas num trabalho na ilha açoriana da Terceira, onde fica a Base das Lajes, alegadamente utilizada para escalas da CIA.
De acordo com o advogado de Rui Costa Pinto, o jornalista concluiu ser necessário comunicar ao procurador "um conjunto de informações que colocam em risco as suas fontes de informação".
Na terça-feira, fonte da procuradoria-geral disse à Lusa que a participação do jornalista ao procurador foi remetida para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal, serviço para onde serão canalizadas "outras eventuais informações que venham a ser recebidas".
Na terça-feira, a comissão temporária do Parlamento Europeu sobre os voos da CIA na Europa aprovou, em Bruxelas, o seu relatório final, no qual incita as autoridades de Lisboa a investigar escalas suspeitas em aeroportos portugueses de aviões operados pelos serviços secretos norte-americanos.
O relatório será ainda submetido ao plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na sessão de Fevereiro da assembleia parlamentar da UE.



