Vladimir Putin garante resposta russa ao ataque da Geórgia à Ossétia do Sul

08.08.2008 - 10:35 Por PÚBLICO
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse hoje em Pequim que o ataque perpetrado pela Geórgia à Ossétia do Sul vai ter uma resposta russa, avança a agência RIA Novosti.
“Veículos militares, artilharia e tanques entraram [na Ossétia do Sul] e fizeram vítimas: mortos, feridos, incluem membros russos da manutenção de paz”, disse Putin durante o encontro com o Presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbaev.
“É muito triste e muito preocupante e vai certamente ter uma resposta”, declarou Putin, em Pequim para a abertura dos Jogos Olímpicos.
"Falei com os meus colegas chineses e com o Presidente norte-americano (George W. Bush). Todos estão de acordo: ninguém precisa da guerra", acrescentou Putin.
Putin, antigo Presidente russo que se tornou primeiro-ministro em maio, considerou que os países da Comunidade dos Estados Independentes (doze ex-repúblicas soviéticas) devem "fazer esforços para impedir o derramamento de sangue" na Ossétia do Sul.
As tropas da Geórgia atacaram esta noite a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali. Tbilissi pretende restaurar a ordem constitucional naquela região, que no início da década de 90 declarou independente, unilateralmente.
Ossétia do Sul em perfil
A Ossétia do Sul é um território com cerca de quatro mil quilómetros quadrados, cem quilómetros a Norte da capital da Geórgia, Tbilissi, nas encostas da região montanhosa do Cáucaso.
O colapso da União Soviética desencadeou um movimento separatista na Ossétia do Sul, que sempre teve mais afinidade com a Rússia do que com a Geórgia. Aquela região separou-se do domínio georgiano numa guerra em 1991-1992. Morreram centenas de pessoas. Hoje, mantém estreitas ligações à região russa vizinha da Ossétia do Norte, do lado Norte do Cáucaso.
A maioria dos seus 70 mil habitantes é de etnia diferente dos georgianos e falam a sua própria língua.
Cerca de dois terços do orçamento anual vem directamente de Moscovo e quase toda a população tem passaporte russo. Os cidadãos utilizam o rublo russo como moeda.
A Geórgia acusa as forças russas de manutenção da paz de apoiarem os separatistas. Moscovo nega. Nos últimos anos, escaramuças esporádicas entre separatistas e forças georgianas já mataram dezenas de pessoas.
O Presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, propôs um acordo de paz, no âmbito do qual seria concedido à Ossétia do Sul um “elevado nível de autonomia”, dentro de um Estado federal. Mas os separatistas afirmam que querem a independência total.

