Vitória de Newt Gingrich na Carolina do Sul altera primárias republicanas

22.01.2012 - 07:25 Por Kathleen Gomes, em Charleston, EUA
Newt Gingrich foi o vencedor na Carolina do Sul no sábado à noite, uma reviravolta eleitoral que ameaça tornar as primárias republicanas para as presidenciais dos EUA num processo longo e mais competitivo.
O triunfo de Gingrich neste estado americano, com 40 por cento dos votos, representa um duro golpe para Mitt Romney, o candidato que parecia imparável até há três dias, e converte a corrida entre os candidatos presidenciais do Partido Republicano num duelo entre os dois homens. Dito de outro modo: tornou-se mais difícil antecipar quem será o rival de Barack Obama na eleições de Novembro.
É um cenário que ninguém anteciparia há 10 dias, quando Mitt Romney venceu as primárias em New Hampshire e Newt Gingrich ficou em quarto lugar. Mas o imprevisível Gingrich, o homem que liderou a oposição no Congresso durante a presidência de Bill Clinton, tem provado uma vez e outra que tem várias vidas.
Declarado morto duas vezes nesta campanha eleitoral, conseguiu superar Mitt Romney na última semana graças à sua boa prestação nos debates republicanos e ao comportamento desastroso do seu rival – pressionado para tornar pública a sua declaração de rendimentos, o milionário Romney resistiu, como se tivesse algo a esconder. Na Carolina do Sul obteve 28 por cento dos votos.
Os últimos dias antes da votação neste estado foram, aliás, uma acumulação de boas notícias para Gingrich – a saída de Rick Perry da corrida, que passou o testemunho ao ex-speaker da Câmara dos Representantes, o apoio de Sarah Palin, madrinha não-oficial do Tea Party – e de dissabores, no caso de Romney, que, para além do episódio sobre os seus rendimentos, soube esta semana que, afinal, não ganhou no Iowa; uma recontagem dos votos fez de Rick Santorum o vencedor oficial naquele estado.
Há apenas uma semana, a expectativa generalizada era que Romney teria uma vitória decisiva na Carolina do Sul, selando assim o seu estatuto de candidato inevitável do partido. Mas o súbito êxito de Gingrich veio lembrar algo que tem sido uma marca desta corrida à nomeação republicana: a sua extrema inconstância.
Em teoria, a Carolina do Sul seria sempre um alvo difícil para Mitt Romney. É um estado conservador e ideologicamente mais à direita de Romney, visto como um moderado. E é um estado ultra-religioso, com destaque para os evangélicos (protestantes), que olham com desconfiança para a religião de Romney, um mórmon. Gingrich, por sua vez, é um homem do Sul, que foi eleito para o Congresso pelo estado vizinho da Geórgia, e o seu estilo de campanha tem privilegiado o eleitorado conservador, religioso e afecto ao Tea Party. A Carolina do Sul é uma amostra do seu público-alvo.
A importância da Carolina do Sul no calendário das primárias republicanas não deve ser subestimada: é o terceiro estado a votar, depois do Iowa e de New Hampshire, e nas últimas três décadas o vencedor deste estado conquistou sempre a nomeação do partido.
Rick Santorum e Ron Paul obtiveram, respectivamente, o terceiro e quarto lugar, com 17 por cento e 13 por cento dos votos. Ninguém abandonou a corrida. A próxima etapa será na Florida, dia 31. Os quatro candidatos já devem estar a caminho.


