Visita de Sócrates à Polónia pode ter acabado com obstáculos ao Tratado da UE

12.10.2007 - 09:09 Por Lusa
O compromisso que José Sócrates, presidente em exercício da União Europeia (UE), "ofereceu" aos gémeos Kaczynski, dirigentes da Polónia, ultrapassou o principal obstáculo a um acordo histórico sobre o futuro Tratado da UE, na cimeira dos 27, em Lisboa, dentro de uma semana.
A ideia foi confirmada por responsáveis diplomáticos e comunitários ligados às negociações, para os quais "não foi por acaso" que Sócrates, que preside actualmente ao Conselho Europeu de líderes da UE, apenas se deslocou à Polónia. O objectivo foi negociar e ultrapassar as principais dificuldades à aprovação em Lisboa, na próxima sexta-feira, do Tratado que substituirá o projecto de Constituição Europeia. Este foi inviabilizado e abandonado depois da sua rejeição, em referendos de 2005, na França e na Holanda.
Com efeito, José Sócrates marcou o reinício do ano político europeu com uma deslocação-relâmpago, não agendada, a Varsóvia, depois de uma cimeira UE/Ucrânia, em Kiev.
Reuniu-se numa tarde com os gémeos Kaczynski - Lech, Presidente da República, e Jaroslav, primeiro-ministro - e manifestou-se confiante na aprovação do novo Tratado Europeu na cimeira europeia de Lisboa, que se realiza dentro de uma semana.
"Desta conversa com o Presidente da República polaco mais reforcei a ideia de que há uma vontade política de todos os países (membros da UE) para se chegar a um acordo (sobre o futuro Tratado Reformador) durante o Conselho (Europeu) informal", declarou Sócrates a jornalistas, no final do encontro de pouco mais de uma hora com Lech Kaczynski, referindo-se à próxima cimeira de líderes dos 27, que se realiza quinta e sexta-feira próximas, em Lisboa.
"Não saio daqui preocupado, pelo contrário, saio com a impressão clara de que há um empenhamento de todos os países para que a Europa possa obter um acordo o mais rápido possível sobre uma matéria fundamental, que é o Tratado Reformador" da UE, afirmou o primeiro-ministro português, que seguiu de imediato para um encontro com o seu homólogo (e irmão gémeo do chefe de Estado polaco), Jaroslav Kaczynski.
Mas Sócrates não contou, nem falou aos jornalistas sobre o conteúdo das negociações que justificaram o seu optimismo quanto ao desbloqueamento das reticências polacas ao novo Tratado, cujas questões sensíveis deveriam ter ficado resolvidas no último encontro de líderes da UE, no final de Junho, em Bruxelas, sob presidência da Alemanha.
No entanto, de acordo com as mesmas fontes diplomáticas e comunitárias, a solução de compromisso que Sócrates levou então a Varsóvia, principalmente quanto à designada 'Cláusula de Ioannina' - que pode permitir a suspensão de decisões da UE por uma minoria de Estados membros -, foi bem acolhida pelos gémeos polacos que estão à frente da condução política da Polónia, actualmente um dos maiores Estados da UE.
Os "préstimos" da actual presidência portuguesa da UE já foram reconhecidos publicamente por um dos "gémeos de Varsóvia": sobre a cláusula de Ioannina, um deles, Lech, chefe de Estado, disse que a posição do presidente em exercício da UE "é encorajadora".

