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Massacre de Díli

Vinte anos depois, Timor ainda procura as vítimas de Santa Cruz

11.11.2011 - 22:00 Por Isabel Gorjão Santos

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Familiares das vítimas recordam durante uma manifestação em 2007 os que morreram em Santa Cruz Familiares das vítimas recordam durante uma manifestação em 2007 os que morreram em Santa Cruz (Lirio Da Fonseca/Reuters)
Ouvem-se sirenes e tiros, muitos tiros. Há gente baleada no chão, gente a correr. E reza-se em português, tão longe de Lisboa. Foi há 20 anos o massacre que pôs os olhos do mundo em Timor-Leste, mas o país ainda procura as vítimas que morreram naquele dia.

Neste sábado, em Díli, os sinos voltam a tocar em memória das mais de 200 pessoas que morreram no massacre de Santa Cruz e haverá uma marcha até ao cemitério. No Palácio do Governo será exibido o filme “Timor à procura”, do jornalista britânico Max Stahl. Foi ele quem filmou o que aconteceu no cemitério de Santa Cruz. E foi ele que continuou a filmar, até hoje, o nascimento do primeiro país do século XXI.

O seu novo filme mostra os passos dos médicos e antropólogos forenses da Argentina e da Austrália que têm procurado desvendar o que aconteceu às vítimas, e mostra também a entrega às famílias dos restos mortais das primeiras 12 pessoas identificadas. Mas no final mantém-se a pergunta: “Onde estão?”. Segundo o Comité 12 de Novembro, uma organização de apoio às vítimas, 74 pessoas foram identificadas como tendo morrido no massacre e outras 127 morreram pouco depois. Mas as famílias ainda não recuperaram os corpos dos que desapareceram.

Timor ainda está à procura, a câmara de Max Stahl continua ligada como naquele dia 12 de Novembro de 1991. O jornalista britânico é hoje um activista de passaporte diplomático no bolso, mudou-se para Timor-Leste, criou em Díli o Centro Audiovisual Max Stahl onde trabalham cerca de 30 pessoas para preservar cerca de 1300 horas de imagens sobre a resistência timorense e o nascimento do novo país. Porque aquele 12 de Novembro, diz, “nunca se poderá esquecer”.

Homenagem a Sebastião Gomes

Sabia-se que as autoridades indonésias, que tinham invadido o país em 1975, iriam reagir, só não se sabia como. Naquela manhã, mais de 2200 juntaram-se em Díli para prestar homenagem a Sebastião Gomes, assassinado a 28 de Outubro pelas tropas indonésias na igreja de Motael, onde se tinha escondido um grupo de independentistas. Para essa altura estava prevista a visita a Timor-Leste de uma delegação de deputados portugueses e a ocasião seria aproveitada pela resistência timorense liderada por Xanana Gusmão. A viagem acabou por ser cancelada, mas a manifestação em memória de Sebastião Gomes saiu para a rua.

O protesto começou pelas 6h, com uma missa na igreja de Motael. Pela primeira vez, um grupo de jovens ousou pintar cartazes e ensaiar palavras de ordem. “Viva Xanana”, “Viva a resistência, “Não à integração”. Pouco depois começaram os primeiros confrontos com militares indonésios, quando os manifestantes passaram junto ao Palácio do Governo, até que, pelas 8h, o cemitério já estava rodeado por militares. Os manifestantes começam a rezar um terço junto à campa de Sebastião Gomes e ouvem-se os primeiros tiros.

Nessa altura Max Stahl já estava no cemitério. Tinha chegado a Timor em Setembro, fingiu ser turista para entrar no território e fazer um filme sobre a resistência para a Yorkshire Television, que pertencia à cadeia independente de televisão britânica ITV. Mas nem ele poderia imaginar que o seu filme iria correr mundo e ajudar a pôr fim ao longo silêncio sobre a repressão em Timor.

A entrevista a Xanana

Stahl estava em Baucau com membros da resistência quando lhe foi entregue uma mensagem a pedir que se deslocasse a Díli, recorda agora ao PÚBLICO, vinte anos depois. Pensava que iria finalmente entrevistar Xanana Gusmão, há várias semanas que tentava fazê-lo. “Estava com os guerrilheiros das Falintil [as Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste], a 8 de Novembro, e disseram-me que Xanana Gusmão tinha enviado uma mensagem para me deslocar a Díli. Pensei que fosse para uma entrevista com ele, que era muito difícil de conseguir. Já tínhamos cancelado várias vezes.”

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"o governo Australiano faz muitos erros e a sua

...atitude sobre o petroleo e o gas foi uma vergonha." E continua a ser. A Austrália nada tem a ver ...

Luis

13.11.2011 14:20

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