Vice-presidente da União das Comores nomeado novo administrador da ilha de Anjouan

26.03.2008 - 13:18 Por AFP, PÚBLICO
Um dos vice-presidentes da União das Comores foi hoje nomeado administrador da ilha de Anjouan, cujo presidente, Mohamed Bacar, foi derrubado pela força, esperando-se que até ao final da semana entre em funções um novo Executivo na ilha, avançou hoje uma fonte oficial em Moroni, citada pela AFP. De Mohamed Bacar sabe-se apenas que abandonou o palácio presidencial. De acordo com algumas testemunhas, ter-se-á refugiado com a família nas montanhas.
"O vice-presidente Ikililou Dhoinine vai representar a autoridade política em Anjouan até à colocação em funções de um novo governo de transição na ilha. Esse governo de transição entrará em acção até ao final da semana", declarou à AFP o porta-voz do governo das Comores, Abdourahim Said Bakar, após um conselho de ministros em Moroni, na Grande Comore.
As Comores são uma república federal islâmica de 2230 quilómetros quadrados, ao largo da costa de Moçambique.
O presidente da ilha de Anjouan, Mohamed Bacar, foi derrubado durante uma operação militar lançada ontem pelo exército das Comores, com a ajuda de tropas da União Africana (UA). De acordo com testemunhas locais citadas pela AFP, Bacar terá fugido com a sua família para as montanhas, tendo a sua residência oficial sido invadida e saqueada pela população.
A missão de Dhonine vai consistir em fazer funcionar a administração local, porque a "administração de Bacar foi dissolvida", explicou o porta-voz.
Dhoinine chegou hoje à ilha acompanhado de alguns ministros da União das Comores, nomeadamente do ministro da Defesa.
A Tanzânia, o Sudão, a Líbia e o Senegal foram os quatro países que se juntaram para apoiar militarmente a operação Democracia nas Comores; até porque quase todos eles enfrentam tendências separatistas nos próprios países: os tanzanianos tentam conservar as ilhas de Zanzibar e Pemba, Cartum quer manter o Sul do Sudão e o Darfur e o Senegal luta contra os anseios independentistas da Casamansa.
Outra perspectiva, porém, foi a da África do Sul, que por todos os meios procurou atrasar o mais possível uma intervenção militar em Anjouan, defendendo sempre que se deveria insistir no diálogo entre os comorianos. Pretória considera que as Comores se encontram na sua zona de influência, notava ontem o jornal francês Le Monde, ao procurar explicar o valor simbólico de tudo o que está a acontecer num arquipélago rico em baunilha, cravo de cabecinha e ylang-ylang, uma flor da qual se fazem perfumes.

