Venezuela expulsa eurodeputado espanhol que chamou "ditador" ao Presidente Chávez

14.02.2009 - 12:13 Por Dulce Furtado, com agências
Caracas expulsou ontem à noite o eurodeputado espanhol Luis Herrero – que se encontrava no país em missão de observação para o referendo de amanhã – por o político se ter referido ao chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, como um “ditador”.
Mais. Argumenta o Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros que Herrero (deputado do Partido Popular espanhol, de direita) criticou “de forma ofensiva” a Comissão Eleitoral venezuelana. “Foi convidado a deixar o país, aplicando-se as instruções do poder eleitoral e no pleno respeito habitual dos direitos humanos”, precisava a diplomacia venezuelana em comunicado, citado pela AFP.
Herrero – que estava em Caracas a convite do partido democrata-cristão venezuelano Copei, na qualidade de observador eleitoral – foi, assim, conduzido a um voo comercial (às 23h00 locais, 3h30 em Portugal) com destino à cidade brasileira de São Paulo.
O secretário-geral do Copei, Luis Ignacio Planas, ouvido pelo canal privado de televisão venezuelano Globovision, relatou que Herrero foi “levado à força” pela polícia para o aeroporto e sem qualquer notificação prévia: “Não lhe permitiram sequer recuperar as suas coisas, nem mesmo o passaporte. Os agentes chegaram, levaram-no à força, e só depois é que foram ao hotel buscar às malas e os documentos dele.”
Já hoje pela manhã, fonte diplomática espanhola ouvida pela AFP revelou que o Ministério espanhol dos Negócios Estrangeiros vai convocar “o mais depressa possível” o embaixador venezuelano em Madrid para apresentar protesto contra o tratamento dado a Herrero.
O político espanhol tinha, poucas horas antes e perante vários jornalistas, apelado ao "voto em liberdade" no referendo de amanhã – com o qual Chávez, que celebrou este mês dez anos no poder, quer receber aval para retirar todos os limites constitucionais aos mandatos elegíveis por sufrágio, incluindo o presidencial.
“Que nunca votem deixando-se levar pelo medo que um ditador lhes quer impor de forma premeditada. Que os venezuelanos jamais se esqueçam que são cidadãos livres, que devem votar em plena liberdade e como o desejam”, defendeu Herrero. O eurodeputado espanhol criticou ainda a decisão das autoridades eleitorais venezuelanas em manter as assembleias de voto abertas no referendo de amanhã por mais duas horas do que em anteriores sufrágios – até às 18h00 – argumentando que este horário tardio pode prestar-se a “manobras pouco transparentes e antidemocráticas”.
Prontamente, a presidente da Comissão Eleitoral venezuelana, Tibisay Lucena, exigiu a expulsão de Herrero por este ter “perturbado a paz e a harmonia, com declarações ofensivas”. Argumentação que foi avalizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, o qual justificou a decisão de expulsão de Herrero com a necessidade de “preservar o clima de paz e o correcto decorrer do processo eleitoral de 15 de Fevereiro”.

