O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou um corte de 6,7 por cento no orçamento de Estado para 2009, uma medida que inicialmente pusera de lado mas por fim ditada por força das circunstâncias – no caso, a quebra dos preços internacionais do petróleo.
“A crise, ainda que não tenha afectado a Venezuela de uma maneira directa, afectou-a indirectamente através dos preços do petróleo”, disse o líder bolivariano, que antes duvidara que isso viesse a acontecer: assegurara que a crise mundial do capitalismo não tocaria “nem num cabelo” do país.
Em termos numéricos, o corte faz as contas do Estado passarem de 77,9 milhões de dólares para 72,73 milhões.
No anúncio que fez, Chávez, que o designou como “fórmula estratégica anticrise”, disse que o orçamento será refeito com base no novo preço do barril, de 40 dólares por unidade, e sobre uma produção estimada de 3,172 milhões de barris diários.
As contas anteriores assentavam num cálculo de 60 dólares por barril e de uma produção de 3,6 milhões de unidades diárias, mas recentemente o valor médio do crude local foi de apenas 37,3 dólares e o volume de produção, segundo o último relatório da OPEP, apenas de 2,1 milhões de barris por dia.
Nas vésperas do referendo constitucional de Fevereiro, vários analistas tinham predito que no caso de uma vitória, o líder revolucionário deveria aumentar o controlo do Estado sobre tudo, das nacionalizações aos conselhos comunitários, ou adoptar medidas impopulares para compensar a perda de dinheiro com a baixa das exportações petrolíferas.
Aumentou de facto o controlo estatal sobre várias estruturas. Mas agora, e por os preços do barril terem ficado muito abaixo do que pretendia, Chávez deverá ser obrigado a adoptar medidas impopulares ou travar a despesa pública, o que poderá ter reflexos na política social que é o emblema do regime bolivariano.



