O braço-de-ferro entre a Ucrânia e Rússia sobre os preço do gás está a afectar a maioria dos países europeus, alguns dos quais deixaram já de receber o combustível que compram à Gazprom.
Ao início da tarde, Macedónia, Sérvia, Croácia, Bósnia e Hungria tinham já confirmado que as entregas de gás russo foram suspensas, juntando-se à Bulgária e Grécia, cujo abastecimento fora cortado a noite passada.
A Turquia deixou de receber o gás importado através dos gasodutos que atravessam a Ucrânia e depois os países balcânicos, mas a Rússia continua a abastecer o país através do “Blue Stream”, conduta que liga os dois países, passando sob o mar do Norte.
Vários outros países denunciaram já quebras acentuadas nas importações, na sequência do diferendo entre a Rússia e a Ucrânia: Eslováquia e República Checa registam uma diminuição de 70 por cento nas suas importações diárias, enquanto na Eslovénia as quebras rondam os 90 por cento – situação semelhante à vivida em Itália, onde, ao contrário de países vizinhos, o gás russo representa apenas 30 por cento das necessidades de consumo.
A Polónia está a receber apenas 15 por cento do gás que entra no país através das condutas que atravessam a Ucrânia, enquanto na Áustria as entregas não vão além dos dez por cento da média habitual.
Também a Alemanha e França registaram quebras acentuadas nas importações (50 e 70 por cento, respectivamente), mas a sua dependência do gás russo é menor do que a de outros países europeus, em particular nos Balcãs, onde alguns países dependem na totalidade do gás russo, importado através da Ucrânia.
Contudo, os especialistas dizem que o nível de reservas existentes na Europa deverá evitar que, pelo menos nos próximos dias, os consumidores sejam directamente afectados pela quebra nas importações. A União Europeia exige, por isso, que russos e ucranianos resolvam, o mais rapidamente possível o diferendo, com vista à normalização dos abastecimentos.
A empresa estatal russa Gazprom cortou o abastecimento de gás à Ucrânia no dia 1, depois de não ter sido alcançado um acordo quanto ao pagamento de um montante em dívida (que Kiev não reconhece) e quanto ao preço por tonelada cúbica para este ano. Desde então, a Rússia acusa o país vizinho de roubar o gás que transita pelos gasodutos que o atravessam – uma acusação que a Ucrânia desmente, afirmando que é a própria Gazprom que está a diminuir o nível das entregas aos clientes europeus.
Em 2006, um diferendo semelhante provocou perturbações no abastecimento aos países da UE, mas a situação foi resolvida em poucos dias, o que evitou que os clientes fossem afectados.



