Os cinco "presos de alto valor" de Guantánamo, acusados dos atentados do 11 de Setembro, serão transferidos daqui a 45 dias para Nova Iorque e aí serão julgados num tribunal civil federal. Um deles é Khalid Sheikh Mohammed, confesso autor do plano dos ataques. Vai ser pedida a pena de morte.
Para ele e para os restantes, a Administração vai pedir a pena máxima, disse ontem o procurador-geral (equivalente a ministro da Justiça), Eric Holder. "Conto indicar aos procuradores que devem pedir a pena de morte contra cada um dos alegados conspiradores do 11 de Setembro."
Mohammed terá sido o homem que propôs a Osama bin Laden os atentados de 11 de Setembro de 2001, quando os dois se encontraram no Afeganistão, em 1996. Nasceu no Kuwait e estudou Engenharia Mecânica numa universidade norte-americana, na Carolina do Norte. Preso no Paquistão, passou alguns anos numa prisão secreta da CIA e em 2006 foi transferido com outros 13 presos para Guantánamo.
No ano seguinte, numa audiência na base militar da baía de Cuba, confessou planos de atentados contra edifícios, aviões, barcos ou o canal do Panamá, e ainda conspirações para matar soldados, turistas, presidentes (o paquistanês Pervez Musharraf mas também Jimmy Carter e Bill Clinton), o Papa João Paulo II, o assassínio do jornalista Daniel Pearl, os ataques de Bali e o 11 de Setembro. Trinta e duas conspirações. "Fui responsável pela operação do 11 de Setembro, de A a Z", disse.
No ano passado quis declarar-se culpado nas comissões militares que entretanto Obama mandou suspender. O mesmo fizeram os outros quatro acusados pelas 2973 mortes do 11 de Setembro - Ramzi bin al-Shibh, Ali Abd al-Aziz, Walid bin Attash e Mustafa Ahmed al-Hawsawi. Todos serão julgados "a alguns quarteirões do local onde estavam as Torres Gémeas", disse Holder.
O anúncio segue-se a quase um ano de debate interno sobre como julgar estes homens e outras dezenas que permanecem em Guantánamo, a prisão símbolo da chamada guerra contra o terrorismo da Administração Bush que Obama prometeu encerrar.
A anterior Administração gastou milhões e passou anos a criar comissões militares de excepção para julgar estes suspeitos, considerando que eles não podiam, pela sua perigosidade, ser julgados em tribunais militares tradicionais ou na justiça civil. Obama disse que eram uma "má ideia", que não serviam a justiça.
Mas as comissões não vão acabar: Holder acrescentou que outros cinco detidos de Guantánamo, já acusados de crimes de guerra, vão ser julgados em comissões militares.
Um julgamento civil vai obrigar a acusação e todo o sistema judicial a lidar com questões delicadas, como a obtenção de confissões e provas através da tortura. O método mais condenado entre os vários que foram usados durante a Administração Bush é a simulação de afogamento (waterboarding) e sabe-se que foi usada contra Khalid Sheikh Mohammed 183 vezes.
Nova Iorque tem sido o cenário dos principais julgamentos por acusações de terrorismo nos Estados Unidos.


