O Presidente colombiano revelou hoje que um guerrilheiro das FARC prometeu libertar Ingrid Betancourt e outros reféns em poder do grupo, em troca da promessa de que um outro rebelde capturado pelo Exército não será extraditado para os EUA, com quem Bogotá tem um acordo para a entrega de envolvidos no narcotráfico.
Segundo Álvaro Uribe, o guerrilheiro, cuja identidade não foi divulgada, entrou em contacto com a secreta militar colombiana (DAS) e que esta aceitou a contrapartida exigido caso os reféns sejam libertados.
“Esperamos que a proposta deste guerrilheiro de libertar Betancourt seja real. Iremos respeitar o nosso compromisso de não efectuar a extradição”, revelou ontem o Presidente colombiano, sem identificar também o detido envolvido nestas negociações.
No dia anterior, Uribe tinha já admitido a possibilidade de conseguir a libertação de reféns em troca da promessa de não extraditar para os EUA rebeldes capturados, mas não disse que o acordo envolvia o nome da antiga candidata presidencial, há seis anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
A libertação de Betancourt, cujo estado de saúde era há meses descrito como crítico, foi já tentada várias vezes e através de vários intermediários, mas sucessivos incidentes e a recusa do Governo em acatar as exigências dos rebeldes – que insistem na criação de uma zona desmilitarizada – impediram sempre o sucesso das missões.
Contudo, a morte dos três mais importantes comandantes da guerrilha, desde o início do ano, e a rendição de várias outras figuras terá enfraquecido o movimento, criando condições para a libertação de reféns em trocas de garantias de segurança.
Esta semana, o senador Luis Eladio Perez – um dos seis reféns libertados desde o início do ano num processo mediado pelo Presidente venezuelano – admitia que a guerrilha estaria disposta a libertar reféns nas próximas semanas.
Estima-se que as FARC, a maior guerrilha da Colômbia, tem em seu poder centenas de reféns, entre eles 39 políticos e militares que a guerrilha admitia libertar em troca da libertação de 500 rebeldes detidos nas cadeias do país.


