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Uniões gays: "O Brasil acordou mais livre e mais democrático"

11.05.2011 - 14:46 Por Alexandra Lucas Coelho, no Rio de Janeiro

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Um estudo de 2006 revela que mais de metade dos gays brasileiros foram alvo de agressão verbal ou física Um estudo de 2006 revela que mais de metade dos gays brasileiros foram alvo de agressão verbal ou física (Foto: Bruno Domingos/Reuters)
Há o Brasil da rua e o Brasil de casa. No Brasil da rua, gay até pode ser ídolo. Mas no Brasil de casa, pode ser chamado "veado" e levar pancada. "É muito frequente um pai dizer: "Prefiro ter um filho morto do que um filho veado"", resume a cientista social Sílvia Ramos, 56 anos, mostrando gráficos de um estudo feito em 2006: mais de metade dos gays sofreram agressão verbal ou física e mais de metade dos transsexuais sofreram violência física.

Estamos no centro do Rio de Janeiro, no gabinete de pesquisa da Universidade Cândido Mendes onde Sílvia é investigadora, e ela tem boas razões para crer que esta "esquizofrenia" do Brasil agora pode diminuir.

Porque na quinta-feira, dia 5, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, por unanimidade, a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Uma decisão histórica que fará com que as regras das relações estáveis entre homens e mulheres sejam aplicadas aos casais homossexuais, suprindo assim um longo vazio legislativo.

Ao concluir a votação, o presidente do Supremo, Cezar Peluso, desafiou mesmo os deputados da nação: "O Poder Legislativo, a partir de hoje, tem de se expor e regulamentar as situações em que a aplicação da decisão seja justificada. Há, portanto, uma convocação em relação ao Poder Legislativo para que assuma essa tarefa que até agora não se sentiu muito propenso a exercer".

Desde 1995 que uma proposta para reconhecimento dos direitos de casais gay estava à espera no Congresso. E nada aconteceu, apesar dos homossexuais serem "demonizados" por pastores, agredidos por skinheads e por vezes mortos - no país do samba e do Carnaval, todas as grandes cidades têm casos de travestis brutalmente assassinados.

A mentira

"O Brasil é uma grande mentira", diz o escritor João Silvério Trevisan, 66 anos, pioneiro dos direitos gays, ao telefone, de São Paulo. "O Carnaval é um símbolo clássico do que é o Brasil: o país da máscara. A bissexualidade é um exemplo: uma falsa bissexualidade, sobretudo de homens que se escondem atrás de casamentos. Isto tem a ver com o jeitinho brasileiro. É um país que se move por factos consumados, não por projectos políticos. Por isso, digo que há muito tempo não tinha orgulho assim do Brasil."

Como teve com a decisão do Supremo. "O que os nossos intelectuais de esquerda não fazem, os ministros do Supremo fizeram. Deram uma aula não só para o Congresso como para a nossa intelectualidade chamada progressista."

Os (des)encontros entre activismo gay e esquerda vêm da ditadura, nos anos 70. Trevisan viveu nos Estados Unidos, "em exílio voluntário entre 1973 e 1975, porque o clima aqui estava irrespirável", e lá contactou com os movimentos cívicos. "Quando voltei decidi iniciar um movimento pelos homossexuais. É a pré-história da coisa." Fundou a organização SOMOS e o jornal O Lampião da Esquina, que a censura acusou de atentado à moral.

"Fomos fichados na polícia. Éramos vistos pela ditadura como parte da esquerda. Nós éramos parte da esquerda, mas a esquerda não era parte da gente! Era muito machista, muito ortodoxa, achava que rompíamos a unidade da luta proletária. As lutas feministas, dos negros, dos homossexuais eram vistas como menores."

Ponta-de-lança

E depois, já em plena democracia, os direitos dos homossexuais não se tornaram prioritários.

"Temos uma bancada evangélica e católica no Congresso que envia constantes recados de que não passaremos por eles. Não acham que tenhamos direitos. Negros e mulheres, tudo bem, homossexuais não. Apesar de dizerem que não aceitam o pecado mas aceitam o pecador, já tivemos no Brasil um grupo evagélico, Moses, para tratamento de homossexuais, que eram internados supostamente de forma voluntária."

Quando o Conselho Federal de Psicólogos proibiu os clínicos de tratarem a homossexualidade como doença, psicólogos evangélicos chegaram a mover processos, lembra este activista. E há muitos exemplos da "dedicação obsessiva com que a bancada religiosa reproduz os sermões das igrejas".

"É incorrecto dizer que a situação se deve exclusivamente a essa bancada. Faz parte do movimento de direita e conservador que continua a existir no Brasil. Temos muitos partidos de direita. Mas a bancada religiosa no Congresso será a ponta-de-lança."

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Não Entendo!

Vendo os comentários aqui, me perguntei: Porque afinal de contas um heterossexual daria importância ...

Anderson Alves

13.05.2011 02:52

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