O único sobrevivente do grupo suspeito da autoria dos atentados em Bombaim, no final do ano passado, alega que confessou os crimes sob tortura e pretende declarar-se inocente. Na abertura do processo, o procurador indiano denunciou a “cultura de terrorismo” que vigora no Paquistão, país de origem dos suspeitos.
“Ele vai declarar-se inocente”, anunciou Abbas Kazmi, o advogado que defende Mohammed Ajmal Kasab, o jovem paquistanês que começou ontem a ser julgado pela morte de 164 pessoas nos ataques que paralisaram Bombaim entre 26 e 29 de Novembro do ano passado. Acusado de “actos de guerra” contra a Índia, incorre na pena capital.
O advogado alega que a confissão inicial foi conseguida “de forma coerciva e pela força”, pouco depois de Kasab ter sido capturado. “Não foi uma confissão voluntária”, alegou o jurista, alegando que o seu cliente foi “fisicamente torturado” durante a detenção.
O jovem, que surge em imagens captadas pelas câmaras de segurança no dia do ataque, é o único sobrevivente de um comando armado que, segundo as autoridades indianas, era composto por dez extremistas treinados no Paquistão. Na noite do dia 26, o grupo atacou a principal estação ferroviária da cidade, um centro judaico e dois hotéis da cidade, entrincheirando-se nestes últimos locais durante três dias.
Esta manhã, nas suas declarações iniciais, o procurador indiano Ujwal Nikam afirmou que o ataque “foi meticulosamente preparado e impiedosamente executado” a partir do vizinho Paquistão, onde diz que vigorar a “cultura do terrorismo”. Esta cultura, diz, “está institucionalizada e firmemente enraizada” naquele país, berço do Lashkar-e-Taiba, grupo armado islamista que a Índia responsabiliza pelos ataques. “O Paquistão tornou-se o berço do terrorismo”, sublinhou.
Tanto o movimento extremista como o Governo paquistanês recusaram qualquer responsabilidade nos ataques, mas Islamabad acabou por reconhecer que a conspiração terá “em princípio” sido montada no seu território.


