Os líderes da Unida Europeia vão a ponderar a aprovação de sanções contra a Rússia, na cimeira extraordinária da próxima semana, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner.
Questionado esta manhã sobre quais as medidas que estão a ser ponderadas face à recusa de Moscovo em retirar as suas forças da Rússia da Geórgia, Kouchner respondeu: “estão a ser ponderadas sanções, bem como outras medidas”.
“Estamos a tentar elaborar um texto forte que demonstre a nossa determinação em não aceitar” a presença continuada de tropas russas na Geórgia, sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, uma das vozes mais críticas da actuação de Moscovo nas últimas semanas.
Kouchner admitiu que não existe ainda um consenso sobre a aplicação de sanções, nem quis revelar se terá sido o Governo francês a propor a iniciativa, limitando-se a adiantar que “alguns países” a sugeriram.
O chefe da diplomacia russa reagiu de imediato a estas declarações, que considera como “uma demonstração da completa desorientação” e da “irritação” da União Europeia em relação aos acontecimentos na Geórgia, “o brinquedo de estimação” do Ocidente na região.
Serguei Lavrov acusou ainda o seu homólogo francês de ter uma “imaginação doentia”, por ter sugerido que, depois da Geórgia, a Rússia poderia ter “outros objectivos” na região, como assumir o controlo da Crimeia, região da Ucrânia com uma vasta população russófona.
Esta troca de palavras coincide com o início de uma visita do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, a Moscovo e depois a Tbilissi para garantir o efectivo cumprimento do acordo de cessar-fogo assinado pelas duas partes há duas semanas.
O Governo russo garante que está a cumprir o acordo, tendo retirado as suas forças da Geórgia, com excepção de zonas tampão em redor da Ossétia do Sul e Abkházia. No entanto, Paris sublinha que as tropas russas estão presentes numa área muito para além do acordado e, já esta semana, reconheceu a independência das duas regiões separatistas, apesar de o acordo prever que o seu futuro seria decidido no âmbito de negociações internacionais.


