O Luxemburgo, que preside até ao fim do mês aos destinos da União Europeia (UE), vai manter o seu projecto de referendo sobre a Constituição europeia previsto para 10 de Julho próximo, anunciaram fontes citadas pela AFP.
"O Governo é favorável à manutenção do referendo para 10 de Julho", indicou ontem o "número dois" da diplomacia luxemburguesa, Nicolas Schmit, perante a Comissão dos Assuntos Exteriores da câmara dos deputados. "Todos os partidos estão de acordo para que o referendo ocorra em 10 de Julho", acrescentou o presidente do grupo dos deputados Verdes, François Bausch, que participou no encontro.
Responsáveis europeus também referiram que o ministro da Agricultura, Fernand Boden, confirmou a intenção de avançar com o referendo pouco após o início de uma reunião com os seus homólogos dos 25 em Bruxelas. Em resposta ao "não" francês e holandês à Constituição, os dirigentes da UE decidiram na quinta-feira, na abertura da cimeira de Bruxelas, prolongar pelo menos até 2007 o processo de ratificação do tratado, permitindo assim que cada país adopte a decisão considerada mais correcta. Os chefes de Estado e de Governo deverão encontrar-se no primeiro semestre de 2006 para estabelecer o ponto da situação.
Esta decisão parece, no entanto, desagradar ao primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, que se mostrou favorável a um adiamento do referendo de 10 de Julho, o primeiro no calendário depois dos realizados em França e na Holanda, apesar de admitir que o Parlamento do grão-ducado tem poderes para decidir sobre a questão.
Após a sua deslocação de ontem a Washington, para a cimeira semestral entre a UE e os Estados Unidos, prevê-se que Juncker emita esta tarde uma declaração perante os deputados do Parlamento luxemburguês, que deverá anteceder a aprovação de uma moção que confirmará a data do referendo para 10 de Julho, segundo admitiu ainda François Bausch.
A decisão dos Vinte e Cinco de prolongar o processo de ratificação da Constituição destina-se a contrariar o reforço do "não" registado num número crescente de países, e após a « derrota do "sim" nos referendos francês e holandês.



