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Entrevista com Paul Magnette

União Europeia atravessa a crise "mais grave" da sua História

24.03.2007 - 10:23 Por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas

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Paul Magnette é considerado um dos maiores pensadores actuais sobre a realidade europeia Paul Magnette é considerado um dos maiores pensadores actuais sobre a realidade europeia ()
A Europa já viveu várias crises, mas a actual é "politicamente mais grave" que as anteriores porque à falta de motivação das elites se junta um défice de legitimidade junto da população. A necessidade de digerir a enome quantidade de projectos dos últimos anos, o "falhanço político" do alargamento ao Leste e os mal-entendidos dele decorrentes, impõem um período de reflexão, de dez a quinze anos, para permitir a estabilização e reequilíbrio do projecto europeu.

A Constituição Europeia deveria ser abandonada, porque não tem "quase nada" de bom, e dar lugar a uma nova ronda de negociações entre os governos com base num consenso sobre o que querem fazer juntos.

P : Face à actual crise da integração, pensa que estes vinte e sete lideres da UE que celebram [amanhã] em Berlim os 50 anos do Tratado de Roma, poderiam conceber um salto conceptual tão drástico como o de 1957?

R : É uma comparação difícil, porque se o Tratado de Roma não existisse, que tipo de relações teriam os estados ? Aliás, a actual crise tem parcialmente a ver com o facto de termos atingido um grau de integração muito elevado. É mais facil partir do nada e dar um grande salto, do que partir de uma situação semi-integrada para fazer algo do mesmo tipo.

Mas há já vários anos, talvez desde o Tratado de Maastricht [1991], que a Europa parece ter perdido completamente a dinâmica …

É verdade, não há qualquer salto qualitativo em nenhum domínio. Mas desde Maastricht a Europa tem estado absorvida com o euro e com o alargamento [ao Leste], que supôs os Tratados de Amesterdão e de Nice e a tentativa de Tratado Constitucional. A energia política não é infinitamente multiplicável. Há fases históricas para realizar saltos, e há outras para consolidar e establizar. Que suscitam menos entusiasmo político, claro. A ordem europeia baseou-se na hipótese da Guerra Fria, de maneira que a queda do Muro de Berlim criou um contexto favorável à tomada de uma nova grande decisão, que foi Maastricht. Desde então, não temos nada disso. O que não impediu avanços expectaculares na cooperação penal, por exemplo, ou na energia. A Europa continua a funcionar.

A acual crise de desconfiança dos cidadãos não terá a ver com a forma como foi feito o alargamento ao Leste, apresentado como uma obrigação moral e sem o menor entusiasmo?

Houve um falhanço político do alargamento, é incontestável. Falhámos uma forma de apropriação politica da saída do comunismo, não conseguimos fazer perceber que era um salto histórico quase tão importante como foi a saída do fascismo e da Segunda Guerra. Devia ter sido a ocasião para refundar o projecto europeu em valores, em princípios. Daí o falhanço político.

Porquê ?

Em parte devido à ambivalência de grande parte da esquerda face ao comunismo. A queda do comunismo não foi celebrada como a exaltação da democracia, não suscitou as explosões de alegria da Europa Ocidental como as provocadas pela revolução dos cravos em Portugal ou a morte de Franco. Em simultâneo, a agenda europeia estava sobrecarregada, as opiniões públicas estavam absorvidas pelo euro, falava-se de redução de despesas, de reforma dos serviços públicos e da liberalização dos transportes aéreos e ferroviários, dos correios ou da energia. Durante esse período não se falava de alargamento que, no entanto, avançava. Mas não se deve exagerar, porque os candidatos entraram, estão no sistema. E o sistema foi adaptado, não muito bem, mas bom, funciona.

Mas este silêncio não resultou da recusa dos responsáveis políticos de enfrentar o debate sobre os custos do alargamento, as dificuldades, o aumento da concorrência ?

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A União Europeia é vista pelos países de Leste com...

A União Europeia é vista pelos países de Leste como um pote de ouro, à semelhança do que se passou ...

Anónimo

24.03.2007 11:50

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