Abraços e lágrimas na mina de San José

Uma Fénix pintada com as cores do Chile já fez renascer maior parte dos mineiros

13.10.2010 - 07:06 Por Isabel Gorjão Santos

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O electricista Mario Sepulveda foi dos mais efusivos à chegada: "Viva o Chile, merda!" O electricista Mario Sepulveda foi dos mais efusivos à chegada: "Viva o Chile, merda!" (Ivan Alvarado/Reuters)
Florencio Ávalos tinha dito às equipas de resgate para fazerem todo o barulho que quisessem com a perfuradora, porque quanto maior fosse o barulho melhor se dormiria lá em baixo. Esta noite, pela primeira vez em 69 dias, vai dormir à superfície. Foi o primeiro dos 33 mineiros presos a mais de 600 metros de profundidade a subir na cápsula Fénix. Na mina de San José, no Norte do Chile, foi recebido com aplausos, abraços e lágrimas.

Pouco mais de 23 horas após a saída do primeiro mineiro, tinham já chegado à superfície 27. O ritmo de da operação de resgate tem aumentado à medida que a operação avança. Florencio Ávalos, Mario Sepúlveda, Juan Illanes, Carlos Mamani, o único boliviano do grupo, Jimmy Sánchez - o mais novo, de 19 anos - e Osman Araya foram os primeiros. A cada 50 minutos há euforia e aplausos. Foram transportados para o hospital de Copiapó e "estão bem", segundo o ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich. Para o Presidente Sebastiá Piñera "nem os mineiros nem o Chile serão os mesmos".

Passavam 10 minutos da meia-noite no Chile (4h10 em Lisboa) quando a porta da cápsula Fénix se abriu, com Florencio Ávalos lá dentro. Minutos antes os olhos estavam postos na roldana amarela por onde passam os cabos que sustentam aquela estrutura pintada de vermelho, azul e branco, as cores da bandeira do Chile. O Presidente Sebastián Piñera trocava algumas palavras com os socorristas. A seu lado, Mónica Araya, a mulher de Florencio Ávalos, parecia suster a respiração durante os poucos mais de 10 minutos que a cápsula demorou a subir. O filho de ambos, Byron, de sete anos, sorria e apontava para grua. Até que, quando a Fénix finalmente surgiu à superfície, trocou o sorriso por um choro compulsivo e correu lançando-se nos braços do pai.

“Que emoção! Que felicidade! Que orgulho em ser chileno!”, disse Sebastián Piñera, que foi atrás de Mónica Araya abraçar Florencio Ávalos. Este mineiro de 31 anos trabalhava na mina de San José há três e era um dos principais responsáveis daquela equipa, a seguir ao chefe de turno, Luís Urzua Iribane. A família de Florencio ficou ainda à espera do irmão mais novo, Renán, de 29 anos, que também está dentro da mina.

Passou uma hora, quase exacta, até voltar a haver uma explosão de alegria. Desta vez foi Mário Sepúlveda, um electricista de 47 anos, a sair da cápsula Fénix. “Viva o Chile, merda!”, gritou. Caiu nos braços da mulher, Katty Valdivia, e depois começou a distribuir aos socorristas lembranças das profundezas, pedras que conseguiu trazer de dentro da mina. Nos últimos dois meses ele tinha sido o “jornalista” de serviço, o responsável por gravar imagens no interior da mina.

Mais uma hora, até às 6h11, outros 15 minutos de subida da cápsula, e é então que chega Juan Illanes Palma, ex-militar de 52 anos que também foi apanhado pela derrocada na mina de San José, a 5 de Agosto. “Foi como estar num cruzeiro”, disse, sem esconder o alívio. Foi o terceiro mineiro a ser resgatado, faltavam 30.

Uma hora por cada resgate
Durante a madrugada os preparativos para o resgate tinham decorrido como o previsto, apesar de algum atraso na operação. A ordem pela qual os mineiros subiriam foi divulgada às famílias e seguia os critérios que já tinham sido anunciados: primeiros os mais hábeis, que fossem capazes de reagir a qualquer problema na operação, depois os mais débeis, cujo estado de saúde inspirasse maior preocupação, e finalmente os mais fortes, capazes de aguentar mais tempo. O chefe de turno Luís Urzua Iribane será o último a abandonar o interior da mina, o que só acontecerá amanhã. Cada resgate demora, em média, uma hora.

Em Copiapó, a cidade mais próxima daquela mina, as buzinas não param de apitar para celebrar o resgate. É também lá, no hospital local, que está tudo a postos para receber os mineiros que precisem de cuidados médicos, isto para além do hospital de campanha que foi montado no acampamento Esperanza, mesmo junto à mina. Nos últimos dias foi construído um heliporto e a viagem de helicóptero para Copiapó será rápida, cerca de 12 minutos.

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Que alegria

senti quando já depois das 4 horas da madrugada vi o primeiro mineiro abraçando alguns ...

Sem Papas na Língua

13.10.2010 10:22

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