Um em cada cinco dos 248 detidos da prisão norte-americana de Guantánamo em Cuba está em greve de fome, segundo o jornal britânico The Times – e a maioria está a ser alimentada à força, disseram responsáveis militares ao diário de Londres.
Segundo um dos responsáveis, de algum modo os detidos, capturados pelos EUA no âmbito da “guerra contra o terrorismo”, souberam da vitória de Obama, a 4 de Novembro, mesmo sem acesso a televisão. O militar diz que a vitória foi comemorada com cânticos: “Obama! Obama!”.
A greve de fome terá sido um meio de conseguir a atenção do recém-eleito. Assim, 44 detidos recusam comida, e 33 estão a ser alimentados por tubos que a partir do nariz leva um suplemento nutricional até ao estômago.
Esta é descrita como a maior greve de fome desde a Primavera de 2006. Dois dos detidos estão a ser alimentados à força já desde Agosto de 2005.
Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que a percentagem de detidos em greve de fome é ainda maior. A organização Centre for Constitutional Rights, que tem advogados encarregados de alguns detidos, diz que serão 70 os que se recusam a comer.
A maioria dos detidos sabe da promessa de Obama encerrar a prisão. Guantánamo recebeu os primeiros presos fez esta semana sete anos.
Ainda que tenha prometido assinar a ordem de encerramento da prisão nos primeiros dias do seu mandato, Obama já avisou que a missão é mais difícil do que parece – há uma série de detidos que os EUA não querem receber e que não podem regressar aos seus países de origem.
Foi em relação a estes detidos que o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, fez uma proposta de que poderiam ser recebidos em Portugal, no final do ano passado. Amado quebrou o silêncio dos europeus sobre quem se disporia a acolher os detidos e abriu caminho a outras ofertas, como da Alemanha.



