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Saída põe fim a uma presença militar e política que durou quase três décadas

Últimos soldados sírios deixam hoje o Líbano, 29 anos depois

25.04.2005 - 10:26 Por Alexandra Prado Coelho, PÚBLICO

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Amanhã, Kofi Annan divulga relatório sobre o cumprimento da retirada Amanhã, Kofi Annan divulga relatório sobre o cumprimento da retirada (Samer Husseini/AP)
Nas suas últimas horas no Líbano ao fim de 29 anos de presença militar, as tropas sírias desmantelaram ontem o que restava das suas posições, queimaram documentos, e carregaram veículos. Durante a noite de sábado e o dia de ontem dezenas de camiões transportando centenas de soldados e mais de 100 veículos blindados com peças de artilharia atravessaram a fronteira e entraram na Síria.

Discretamente, os últimos soldados sírios saem hoje do Líbano, alguns dias antes da data limite prevista de 30 de Abril. Ficarão no País do Cedro apenas alguns militares para uma cerimónia de despedida que deverá acontecer amanhã - precisamente o mesmo dia em que se espera que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, divulgue o relatório sobre a aplicação da resolução que estipula o fim da presença armada estrangeira no solo libanês.

"Ficará apenas uma presença simbólica de militares e dos serviços secretos para a cerimónia prevista para terça-feira em sua honra", explicou ontem à AFP um responsável dos serviços de segurança libaneses falando sob anonimato. "Partirão logo após a cerimónia", acrescentou.

O momento histórico marca o fim do controlo da Síria sobre o Líbano, que dura desde que em 1976 as tropas sírias entraram no país vizinho para tentar pôr termo à guerra civil que começara um ano antes, e que acabaria por se prolongar até 1990. Ao longo dos anos, Damasco foi consolidando a sua influência através dos militares, mas, sobretudo, dos seus poderosos serviços secretos. A saída das últimas tropas sírias, que se conclui hoje, não é o único sinal do fim de uma era. Na sexta-feira, numa atitude inédita para figuras até há pouco tempo todo-poderosas do regime pró-sírio de Beirute, o chefe da Segurança Geral, general Jamil Sayyed, e o chefe das Forças de Segurança Internas, general Ali Hajj, declararam-se disponíveis para suspender os seus poderes executivos enquanto estiver a decorrer a investigação da ONU sobre o assassínio do antigo primeiro-ministro Rafiq Hariri. A Síria nega qualquer responsabilidade no crime, mas os seus serviços secretos estão sob suspeita.

O filho de Hariri, Saad al-Hariri, anunciou entretanto a intenção de se candidatar às eleições parlamentares que deverão realizar-se no Líbano antes do final de Maio. "Tenciono candidatar-me. Tenciono pôr-me à prova. Tenciono trabalhar duramente. Tenciono atingir os objectivos do meu pai", disse Saad numa entrevista à CNN. "A minha agenda política é continuar a herança do meu pai". Foi o brutal assassínio de Hariri com um carro armadilhado, a 14 de Fevereiro, que abriu uma crise política no Líbano que, acompanhada por grande pressão internacional, acabou por conduzir à retirada síria.

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