General Reynaldo Bignone acusado de homicídio e sequestro

Último ditador argentino condenado a 25 anos de prisão

21.04.2010 - 11:41 Por PÚBLICO

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Bignone esteve directamente envolvido em 56 homicídios e no rapto de 500 bebés Bignone esteve directamente envolvido em 56 homicídios e no rapto de 500 bebés (Marcos Brindicci/Reuters)
O último Presidente da ditadura militar argentina (1976-1983) foi condenado a 25 anos de prisão por violação dos direitos humanos.

Um tribunal de Buenos Aires considerou que o general Reynaldo Bignone, de 82 anos, ordenou sequestros e torturas enquanto era o vice-chefe da base militar Campo de Mayo, o maior centro de tortura do país, entre 1978 e 1979.

Bignone, que seria mais tarde Presidente (entre 1982 e 1983), esteve directamente envolvido em 56 homicídios durante aquele período e no rapto de 500 bebés, cujas mães foram obrigadas a dar à luz em centros de detenção clandestinos.

Outros seis responsáveis foram também condenados com penas de prisão pelo Tribunal Oral Federal de San Martín. Familiares das vítimas congratularam-se com a decisão judicial.

Mais de 30 mil vítimas

O Campo de Mayo, nos arredores de Buenos Aires, terá realizado a maior operação anti-dissidência durante os sete anos de ditadura, que acabou em 1983, e que, segundo algumas organizações de direitos humanos, fez mais de 30 mil mortos e “desaparecidos” entre os opositores ao regime.

“A justiça chegou devagar, mas chegou finalmente”, comentou Estela de Carlotto, presidente do grupo de direitos humanos Avós da Praça de Maio. “Estamos felizes pela condenação e a decisão de os deter numa prisão comum, pelos 30 mil desaparecidos , pelas mães, as avós, os filhos, pelo povo argentino”.

O julgamento foi possível depois de o Supremo Tribunal da Argentina ter, em 2005, recusado as leis da amnistia que protegiam os responsáveis de se sentarem no banco dos réus.

Bignone justificou ao tribunal que o país teve de lançar uma “guerra irregular” e que as Forças Armadas “tiveram que intervir para derrotar o terrorismo”. Adiantou que as vítimas da repressão “não eram nem tão jovens nem tão idealistas”, e pôs também em causa os números de mortos. “Não está provado” que tenha havido mais de oito mil desaparecidos e cerca de 30 crianças sequestradas durante a ditadura, defendeu.

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Comentário + votado

quem também devia também responder pelos crimes

1.-Quem devia estar no banco dos réus eram os políticos dos EUA que ajudaram, armaram e ...

joaquim d'odemira

21.04.2010 19:15

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