UE-África: Desmond Tutu pede condenação das violações dos direitos humanos

07.12.2007 - 15:24 Por Lusa
O arcebispo sul-africano Desmond Tutu pediu hoje aos participantes na cimeira UE-África para ousarem condenar as violações dos direitos humanos, sejam elas cometidas num ou no outro continente.
Em entrevista à Rádio Renascença, o prémio Nobel da Paz defendeu que nenhum tema sensível deve ficar de fora da cimeira e mostrou-se esperançado que os líderes reunidos este fim-de-semana em Lisboa critiquem os atropelos cometidos no Zimbabwe, Somália ou Darfur, mas também os crimes de guerra na Tchétchénia e o racismo em países como a Alemanha.
"Espero obviamente que falem dos temas que para nós são mais críticos. Gostaria que falassem do Darfur e do Zimbabwe. Gostaria que falassem da erradicação da pobreza e de um melhor relacionamento entre África e a Europa", afirmou o antigo opositor ao regime do apartheid.
Acrescentou ainda que espera que durante a cimeira seja criticado qualquer regime que viole os direitos humanos, independentemente de ser africano ou europeu. "Se não o fizerem [os participantes na cimeira] estão a ser cúmplices com essas violações e os líderes violadores pensarão que têm o seu apoio", sublinhou.
Para Desmond Tutu, tanto na Europa como em África há bons e maus líderes, apontando como exemplos negativos o presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, e o chefe de Estado Russo, Vladimir Putin.
"As pessoas dizem que na Rússia a situação está a deslocar-se em direcção a uma ditadura e, se isso for verdade tem que ser criticado. Não se pode dizer que uma ditadura europeia é aceitável e uma africana é má. Tem que se ser consistente", sustentou.
Sobre Mugabe, o prémio Nobel da Paz lembra a admiração que lhe mereceu o "trabalho maravilhoso" que efectuou após a sua primeira eleição, mas adianta que depois o “decepcionou profundamente". "Dado que ele foi convidado para a cimeira desejaria que a União Europeia fale, sem qualquer ambiguidade, sobre os direitos humanos que estão a ser violados de forma flagrante no Zimbabwe", disse Tutu.


