UE saúda veredicto de culpado para Saddam mas condena a pena de morte

05.11.2006 - 17:51 Por Agências
A presidência finlandesa da União Europeia (UE) saudou o veredicto de culpado anunciado hoje contra Saddam Hussein, mas sublinhou que Bruxelas se opõe à pena de morte, a condenação que foi decidida para o antigo ditador iraquiano pela sua participação na execução de 148 habitantes da localidade xiita de Dujail, nos anos 80.
“A presidência reafirma a posição da União Europeia contra a pena de morte. A UE opõe-se à pena capital em todos os casos e em todas as circunstâncias e apela à sua não aplicação neste caso”, afirma um comunicado de Bruxelas, sublinhando que “nos últimos anos, a UE condenou de forma sistemática as violações extremamente graves dos direitos humanos e do direito humanitário internacional cometidas pelo regime de Saddam Hussein”.
A presidência da União defende que “o estabelecimento da verdade e da responsabilidade pelos crimes cometidos durante o regime passado contribuirá para a reconciliação nacional e para um diálogo no Iraque no futuro”.
De Londres, chegou igualmente a satisfação pela condenação de Saddam. “Saúdo que Saddam Hussein e os outros arguidos tenham enfrentado a justiça e sido condenados pelos seus crimes”, afirmou a ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Margaret Beckett, em comunicado.
No Irão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Ali Hosseini, assegurou que a “República islâmica acolhe favoravelmente a sentença”. Sentimento idêntico foi manifestado pelos veteranos iranianos da guerra Irão-Iraque (1980-1988), que vieram para as ruas relembrar as marcas deixadas pelo conflito e defender que Saddam deve “sofrer durante a morte”.
Em Portugal, tanto o Presidente da República, Cavaco Silva, como o primeiro-ministro, José Sócrates, recusaram-se a fazer qualquer comentário sobre a condenação à morte de Saddam Hussein.
Interrogado por duas vezes, durante a conferência de imprensa que se seguiu ao encerramento da XVI Cimeira Ibero-Americana, em Montevideu, Cavaco Silva alegou que não se encontrava nem no momento, nem no local adequado, para comentar a decisão do Supremo Tribunal iraquiano.
"Não quero desviar as atenções sobre o que se disse nesta Cimeira Ibero-Americana. Confino as minhas intervenções ao que se passou na cimeira", justificou.
"Faço minhas as palavras do Presidente da República", disse José Sócrates.
Saddam Hussein foi hoje condenado à morte por enforcamento pelo Tribunal Especial que julgou o massacre de 148 civis na localidade xiita de Dujail, em 1982. Awad Hamed Al-Bander, antigo líder do Tribunal Revolucionário iraquiano, e Barzan Ibrahim al-Tikriti, um dos três meios-irmãos de Saddam e ex-chefe dos serviços secretos, foram sentenciados com a mesma pena.
O ex-vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, foi condenado a prisão perpétua pelos mesmos crimes.

