Barroso admite que ainda não existe um consenso em Washington

UE pressiona EUA para fechar acordo do clima

04.11.2009 - 09:21 Por Rita Siza, Washington

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Barroso diz que é preciso trabalhar ainda mais, de modo a que os Estados Unidos possam chegar a Copenhaga com números concretos Barroso diz que é preciso trabalhar ainda mais, de modo a que os Estados Unidos possam chegar a Copenhaga com números concretos (Jim Young/Reuters)
Os líderes da União Europeia estiveram ontem em Washington para fundar, com a Administração dos Estados Unidos, um novo Conselho de Cooperação para a Energia, que será um fórum permanente de nível ministerial para fomentar a colaboração dos dois blocos transatlânticos em termos de eficiência e segurança energética.

"É uma das grandes inovações da relação entre a Europa e os Estados Unidos", comentou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, em declarações ao PÚBLICO. E na véspera da cimeira da ONU, esta iniciativa "poderá ser uma das chaves para a solução do problema das alterações climáticas".

À entrada para o encontro com o Presidente Barack Obama, Barroso admitia que "não é hoje que vamos encontrar uma solução" que permita ultrapassar o impasse nas negociações. Mas o presidente da Comissão garantiu que tem havido "progressos" nas conversações com os Estados Unidos, e saudou particularmente o interesse e empenho do líder norte-americano. "Ele mudou muito o clima das discussões. Os Estados Unidos agora estão, de facto, comprometidos com o avanço desta negociação", sublinhou.

Barroso reconhece que, "apesar dos esforços notáveis do Presidente Obama", não existe nos Estados Unidos "o mesmo grau de consenso que há na Europa em relação à necessidade de ter objectivos vinculativos quanto às alterações climáticas".

Diz, por isso, que é preciso "trabalhar ainda mais, de modo a que os Estados Unidos possam chegar a Copenhaga com números concretos, quer em relação aos objectivos de mitigação e redução dos gases com efeito de estufa, quer em relação à ajuda aos países em vias de desenvolvimento".

O dirigente europeu quer acreditar que é possível assinar um novo acordo global na Dinamarca: "Estamos a fazer tudo o que é possível para criar um dinamismo de forma a que haja um acordo. E ainda acho que é possível, embora as negociações tenham avançado muito lentamente".

Antes de receber Durão Barroso e o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, para a cimeira Estados Unidos-União Europeia, Barack Obama encontrou-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, que está em Washington no âmbito de um programa comemorativo do 20.º aniversário da queda do muro de Berlim (ver texto pág. 21). A mensagem de Merkel repercutiu a dos seus parceiros. "A protecção do clima é uma das nossas tarefas mais importantes, e também um dos nossos maiores testes", declarou a dirigente alemã.

No entanto, a bancada republicana no Senado desferiu ontem um golpe porventura fatal para as pretensões da Europa e da Administração Obama em termos do avanço de legislação para o combate às alterações climáticas a tempo da cimeira de Copenhaga. Os senadores conservadores boicotaram em bloco a primeira reunião do comité de Ambiente, onde está a ser discutida uma proposta de redução de 20 por cento das emissões de gases com efeito de estufa. E, numa manobra destinada a ganhar tempo, exigiram um novo estudo dos custos económicos da medida.

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