UE preocupada com atraso no envio da força de paz para Darfur

08.12.2007 - 18:38 Por AFP, PUBLICO.PT
Os líderes europeus estiveram reunidos esta tarde, à porta fechada, com o Presidente sudanês, Omar al-Bashir, num encontro que serviu para transmitir as preocupações da União Europeia com as dificuldades colocadas ao envio da força multinacional de paz para Darfur.
“Temos muitas esperanças que o [Governo sudanês] perceba a prioridade que a UE atribui à resolução da situação no Darfur. Não nos resignamos ao que está acontecer e é preciso uma resposta rápida", afirmou o primeiro-ministro português no final da reunião, que contou também com a participação do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, do chefe da diplomacia dos 27, Javier Solana, e com o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy.
José Sócrates, presidente em exercício da UE, revelou que os europeus “tiveram ocasião de transmitir ao Governo do Sudão a sua preocupação com as reticências [de Cartum] ao envio da força híbrida que deveria estar terreno já em Janeiro”.
Por seu lado, o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, também presente no encontro, adiantou que foi pedido ao Presidente sudanês "que responda às propostas das Nações Unidas, de forma a criar as condições para um rápido envio da força híbrida". Sem ela, sublinhou, "o Darfur vai continuar a viver o drama que vive hoje".
Depois de ter dado o seu aval ao envio dos quase 20 mil “capacetes azuis”, o Presidente sudanês tem colocado vários entraves à missão, nomeadamente à participação de especialistas nepaleses, tailandeses e de alguns países escandinavos que se voluntariam para integrar o contingente.
A força, que ficará dependente da ONU e da União Africana, será composta maioritariamente por soldados africanos, mas os responsáveis pela missão consideram que aqueles peritos são indispensáveis para a eficácia operacional do contingente.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, enviou dois emissários à Cimeira UE-África, a decorrer em Lisboa, para tentar convencer Al-Bashir a aceitar a presença deste soldados, mas um conselheiro do Presidente sudanês garantiu que ele não os receberá.
Em conferência de imprensa no final da cimeira, Nicolas Sarkozy explicou que os líderes europeus tentaram convencer Al-Bashir "que é do interesse do Sudão e da unidade deste grande país que seja posto um fim ao massacre e, para tal, é necessário um envio da força de paz o mais rapidamente possível".
Já antes, na sessão plenária desta manhã, o Presidente francês tinha insistido que os sete mil efectivos da União Africana que se encontram no terreno “são insuficientes [para pôr fim aos massacres] porque as pessoas ainda não vivem em paz”.
Na conferência final do primeiro dia da cimeira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, confirmou que os dirigentes europeus "procuraram exercer uma pressão política e diplomática" sobre Cartum para que seja autorizado, o quanto antes, o envio da nova força de paz.
Palco desde 2003 de violentos confrontos étnicos, a região de Darfur, no Oeste do Sudão, é descrita pela ONU como o palco da pior catástrofe humanitária da actualidade, estimando-se que mais de 200 mil pessoas tenham sido mortas e que entre dois a quatro milhões de habitantes forçados a abandonar as suas casas.


