UE dá razão a França por ter travado comboio italiano com imigrantes de África

18.04.2011 - 16:16 Por PÚBLICO
A comissária europeia do Interior deu hoje razão a França por ontem ter fechado as suas fronteiras ao tráfego ferroviário para evitar a entrada no seu território de imigrantes procedentes do norte de África. De acordo com a Comissão Europeia, Paris tem “o direito” de fechar temporariamente a sua fronteira com Itália.
A comissária do Interior, Cecilia Malmström, deu hoje aval à decisão francesa dizendo: “Recebemos hoje de manhã uma carta das autoridades francesas que nos explicam que [o corte do tráfego] se deveu a uma questão de ordem pública, que foi uma interrupção temporária e única e que agora o tráfego circula normalmente”.
De acordo com esta informação - acrescentou a comissária - as autoridades não violaram a abertura do espaço Schengen.
A França bloqueou ontem temporariamente a entrada de comboios provenientes de Itália, através da localidade de Mentone, na fronteira entre os dois países. O objectivo é impedir a entrada de imigrantes. Poucas horas depois, França voltou atrás na sua decisão para evitar incidentes por causa de uma manifestação espontânea e não autorizada na estação de Mentone.
A decisão inicial francesa enfureceu as autoridades italianas que, desde que começou a onda de revoltas no mundo árabe, tem-se visto a braços com milhares de refugiados e de imigrantes africanos que chegam às suas costas, especialmente à ilha de Lampedusa.
A concessão de permissões de residência temporárias foi a única forma encontrada pela Itália para dar resposta ao grande fluxo migratório vindo do Norte de África, mas a medida não foi aceite de bom grado por alguns membros da UE, nomeadamente França e Alemanha.
Malmström adiantou ainda que o Executivo comunitário “está a acompanhar de perto” a situação e já pediu a Paris e Roma que dialoguem para resolver a sua disputa.
Roma acusa o parceiro europeu de falta de solidariedade e ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Franco Frattini, instou o seu embaixador em Paris a expressar o seu “firme protesto” pelo sucedido.
Numa entrevista ao diário italiano “La Repubblica”, Frattini declarou “surpreendente” o encerramento de Ventimiglia e exigiu a Paris que aclare as coisas. “Se a situação continuasse, seria melhor assumir-se que se passa a página da livre circulação, que é um dos fundamentos da União Europeia. Mas estamos convencidos que França vai esclarecer tudo”, disse o governante.
Falando sobre a polémica, o ministro do interior francês, Claude Guéant, declarou que Paris “não deseja” nenhuma espécie de tensão com Itália e que o fecho temporário de Ventimiglia se ajusta aos acordos de Schengen.
O governante acrescentou, porém, que os imigrantes deverão dispor de recursos suficientes para pagar a sua estadia num segundo país [neste caso França] e regressar a casa e que, se não os tiverem, poderão ser reconduzidos ao país de entrada, neste caso Itália.


